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No início de fevereiro deste ano recebi um convite entusiasmado do Clayton Mello para colaborar com o FluLink.

Logo em seguida se juntava ao time o mago das notas, Eduardo Kabessa.

E ao lado do especialista em divisões de base, Igor Santos, o analista tático Isaías Ramos e o memorialista das jornadas épicas, Rafael Perdigão, além do capitão Clayton Mello, você, caro leitor, teve uma cobertura ampla do ano tricolor.

Ao 30 do segundo tempo entrou no time o alquimista das letras Rodrigo Salomão, e com doses de fina ironia e inteligência, o nosso jogo encaixou de vez.

Nossa proposta, pelo menos até aqui, nunca foi a de ancorar o conteúdo do site no noticiário do clube, mas antes de tudo a de ser um site opinativo.

E com o surgimento da nossa rádio web, e em especial com o advento do programa Resenha FluLink, nosso conteúdo opinativo se diversificou e ganhou um espaço de interação mais próxima com o público.

Foram também alguns dos momentos mais divertidos e memoráveis que passamos juntos. Até hoje me deparo com alguém que pergunta pelo retorno do programa, precocemente encerrado por questões financeiras.

Assim como o nosso time profissional, tive minhas oscilações. Em alguns momentos creio ter conseguido, a despeito das minhas limitações, vocalizar o sentimento do torcedor após os jogos. Em outros, a inspiração foi fazer morada na mente de outros cronistas tricolores.

Recebi com muita gratidão e carinho as palavras de elogio, sempre em maioria. Li com atenção e respeito as críticas que me induziram a uma autorreflexão. Sempre tendo em mente que não interessava ao nosso leitor fazer do FluLink metralhadora giratória de indiretas contra outros espaços da mídia tricolor.

O FluLink, definitivamente, jamais se prestou à prática de picuinhas, por saber que o Fluminense merece muito mais do que isso. E que toda a mídia tricolor é nossa aliada nesse embate desigual contra os grupos de comunicação que dedicam 2% do seu noticiário ao Fluminense.

Ano que vem o Fluminense mergulhará em um processo eleitoral. Desde já receio que o debate em torno de idéias e projetos será superado por uma chuva de acusações e desqualificações de lado a lado. O dedo estará apontado para erros pretéritos, frases infelizes, companheiros de chapa. Espero, carinhosamente, que os fatos contrariem essa minha expectativa.

E provavelmente você que me lê será arrastado para um dos lados da polarização política.  A treta diverte e faz passar o tempo, eu sei. Mas se for possível, sugiro que dedique boa parte do seu tempo à análise criteriosa da idéias de cada candidato, e verifique se elas são aplicáveis, se elas se sustentam no presente e constroem um futuro. O Fluminense merece o voto consciente de cada um dos seus sócios.

Ah, você ainda não é sócio? Estou ciente que neste contexto de recessão, talvez não seja o momento mais simpático para fazer uma exortação à associação. Mas se houver alguma sobra no orçamento, pense nesta hipótese com carinho, antes de ponderar sobre o que você receberá em troca. O Fluminense não dispõe de patrocínio estatal, nem da cota de tv mais gorda. Caminhamos para uma desigualdade econômica no futebol que só poderá ser atenuada com o nosso amplo engajamento.

Fica também a minha torcida para que em 2016, em que pese a indisponibilidade do Maracanã e do Engenhão por vários meses, uma ausência sentida em 2015 volte a dar o ar de sua graça: a torcida tricolor. Acima de todas preocupações administrativas de quem vai gerir o Tricolor pelos próximos anos, creio que esta deveria se destacar como prioridade número 1: a de interromper um gradativo processo de distanciamento do torcedor tricolor dos estádios.

O estádio vazio jamais pode ser encarado como fato banal e aceitável. Não existe Fluminense forte sem arquibancada. Tenham absoluta certeza disso.

Ao comando do futebol, que por várias vezes foi alvo de minhas mais severas críticas, desejo, como tricolor de coração, absoluto sucesso no próximo ano, por mais improvável que uma chuva de acertos venha de onde costuma partir um temporal de erros.

O sucesso do Fluminense, e não o sucesso das minhas teses, é o que importa. Se as glórias forem materializadas por pessoas que critiquei, morderei a língua com imenso prazer.

Por fim, aproveito o ensejo para anunciar minha saída de cena. O espírito crítico com que avalio os erros da diretoria, técnico e jogadores também se aplica à minha própria pessoa. Sinto neste momento a necessidade de ler mais do que escrever e de ampliar meus conhecimentos sobre tática, mercado da bola, marketing esportivo, gestão de clubes, sem o que receio cair na repetição ou previsibilidade. Não será propriamente um ano sabático (expressão presunçosa, reconheço) posto que não defini um período de tempo específico. E claro, qualquer retorno, ficará condicionado a convites.

Dentro e fora do FluLink há gente qualificada de sobra para tocar o barco. Não farei a mínima falta, mas tenho a certeza que, por momentos, escrever me fará falta.

Ao amigo Clayton Mello minha eterna gratidão pelo espaço e oportunidade concedidos. E a liberdade irrestrita para expressar meus pontos de vista, por mais polêmicos que fossem. Sua compreensão da liberdade de expressão é rara.

A todos aqueles que se converteram em leitores meus, fiéis ou esporádicos,  também quero deixar meu muito obrigado. Levarei no coração todas as palavras de elogio e incentivo. Um agradecimento especial à turma do Bate-Papo Tricolor, pelo apoio, divulgação e por todo o substrato emocional que permeou boa parte dos meus textos.

À toda equipe FluLink muito sucesso e entusiasmo para continuar registrando as jornadas do Fluminense pelos gramados do Brasil e do mundo com o brilho habitual.

Que 2016 seja um ano glorioso para o Tricolor das Laranjeiras. Do roupeiro ao presidente, que todos tenham a consciência que o Fluminense tem influência direta sobre nosso estado de espírito, e que trabalhem, portanto, de acordo com esta compreensão. Fluminense e felicidade sempre caminham juntos em nossos pensamentos.

A felicidade, a rigor, talvez até existisse sem o Fluminense.

Mas seria frustrante qualquer tentativa de descrevê-la. Como um sentimento a vagar por aí, órfão de palavras e imagens à altura.

Até breve! Qualquer dia "tamo aí".

  
Por Bruno Leonardo
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Faixa estendida no Orlando Scarpelli pela torcida do Fluminense pedindo a derrota do time (Foto: Hector Werlang/GE)


O último sábado havia sido um dia eminentemente tricolor.

Relembramos os 5 anos do tri, Engenhão lotado, a taça levantada, o término de uma longa travessia pelo deserto dos 26 sem anos sem um título brasileiro. Um Fluminense que se regozijava de suas próprias glórias e méritos.

Havia sido também a inauguração do busto de Oscar Cox, fundador da nossa paixão, carregado pelos seus “descendentes” em périplo pelas ruas de Laranjeiras.  Um dos tantos símbolos da fidalguia tricolor, do jogo limpo, da ética que não se regula pela ética alheia ou pela falta dela, mas por princípios inegociáveis.

Aí veio o domingo.

E começou a se respirar um ar estranho nas redes sociais.

“Entrega”, “Eu escolhei te rebaixar” e uma série de dizeres estranhos ao Fluminense, de um revanchismo desinibido, convidando a todos a beberem da taça da retaliação.

Desnecessário eu me estender aqui relembrando todos os episódios em que fomos alvo dos achincalhes do asqueroso Eurico Miranda e de suas maquinações recentes em conluio com o fétido presidente da FERJ, Rubens Lopes, para prejudicar o Tricolor.

Comum a todos nós a certeza de que se Fluminense e Vasco estivessem em situações invertidas, Eurico mandaria seu time entregar para nos rebaixar.

Mas era nossa oportunidade de afirmarmos perante o mundo que somos diferentes. De que somos incapazes de defender práticas que abominamos, e que costumamos atribuir à natureza dos nossos rivais. Práticas, inclusive, das quais fomos vítimas, em 1996, quando nas rodadas finais Vasco e Flamengo não fizeram nenhum esforço para derrotar um rival direto nosso na luta contra o descenso, o Bahia.

Mas boa parte (espero que a internet não seja indicativo de uma maioria) preferiu cair na vala comum da trapaça e defendeu a entrega. Certamente com a consciência anestesiada pela máxima “isso é apenas futebol”, como se o esporte bretão representasse uma dimensão da vida com moralidade própria e sem maiores consequências práticas.

Ou movidos pela certeza de que, por mais intensas que fossem nossas súplicas para que o time adotasse o corpo mole, elas não seriam atendidas, fazendo com que tudo não passasse de uma divertida galhofa para passar o tempo.

No final das contas, o Vasco nem fez a sua parte. Sequer venceu sua partida e provou do gosto amargo de lhe negarem um pênalti claro. Logo o Vasco, que no estadual do Roubinho tem pênaltis distribuídos às dúzias, até quando não faz questão de ser agraciado com um.

De volta ao Orlando Scarpelli, foi muito estranho ver a torcida tricolor presente vaiar qualquer marcação do árbitro que favorecia o Fluminense ou jogador nosso cumprindo o papel que é remunerado para exercer.

A inversão de valores ganhou cores mais vivas quando saiu o gol do Figueirense e torcedores pulavam e se regozijavam como se fosse gol do Fluminense. Uma torcida tricolor ao avesso de sua própria dignidade, com quem teria dificuldade de dividir a arquibancada.

Eu não sei se alguém já se deu conta, mas demos motivos para nossos rivais pensarem que, no fundo, não somos diferentes deles. A princípio, nos sentimos justificados, porque estamos dando o troco. Mas se os papéis estivessem invertidos em 1996? Faríamos igual? Mandaríamos rebaixar o Flamengo?

Agora tudo parece uma mera questão de cronologia. Fomos sacaneados primeiro e agora tivemos a possibilidade de sacanear de volta. Não há mais mocinhos e bandidos, apenas alternâncias nos papéis de escarnecedores e escarnecidos.

Não vai faltar quem junte essas estranhas imagens aos gatos pingados que fizeram festa na porta do STJD com a decisão de rebaixar a Portuguesa. Decisão inquestionável, fiel à letra do regulamento, mas que jamais deveria ensejar festa e sim consternação. Sobretudo porque tal episódio nos salvou de um rebaixamento obtido em campo.

São exemplos de desserviço voluntário à própria imagem, absolutamente desnecessários.
Logo a torcida do Fluminense, que é capaz de ser a mais bela e poética do mundo quando se incumbe da tarefa de lotar o Maracanã e fazer festa para conduzir seu time à vitória.

E ontem não havia a mínima necessidade de pressionar por uma entrega. O time que começou a partida já era pouco competitivo e as substituições do 2º tempo trataram de expor toda a fragilidade do nosso elenco. Até que fizemos um 1º tempo digno e conseguimos tirar algum proveito do horrendo time catarinense. Mas bastou sair Léo Pelé, machucado, e entrar Jonathan, sair Marcos Jr e entrar Lucas Gomes, e Robert no lugar de Pierre, para que tivéssemos em campo uma perebada incapaz de “machucar” o adversário.

O adversário, por sua vez, nos machucava literalmente, descendo a bota, e contando com a conivência do inclassificável Dewson de Freitas. A imagem que melhor sintetiza o espírito carniceiro do time do Figueirense foi a entrada criminosa de Carlos Alberto, com a sola da chuteira, logo abaixo do joelho de Léo Pelé. Um talento perdido para a marginalidade.

Falemos um pouco agora da nossa realidade local.

São tempos estranhos no futebol carioca.

Vasco rebaixado na série A, Macaé rebaixado na série B e Madureira na série C, todos aliados da federação. Sintomático ver Eurico Miranda e Elias Duba, representantes da malandragem coca-cola, colherem os frutos do próprio arcaísmo.

Mas ano que vem estarão lá, mudando o regulamento do estadual a cada duas semanas, pendurados no saco do Rubinho, imaginando extrair sei lá que vantagens. Cantarão de galo no terreiro de um estadual esvaziado e correrão para não fechar as portas no segundo semestre.

Mas sempre contando com as portas abertas de grande parte do radialismo carioca, tão mofado e destituído de credibilidade quanto a própria FERJ.

E assim segue a valsa do futebol carioca. Uns se iludiram com a volta do respeito, outros se empolgaram precocemente com a volta ao G4 após 4 anos de ausência, tricolores (eu incluído) caíram no conto do ex-craque de renome internacional e botafoguenses comemoram título da série B.

É preciso modernizar a gestão dos clubes, decerto. Mas isso também passa pela modernização das mentes, incluindo torcedores. Caso contrário, se deixarão levar novamente por cantos de sereia e reconduzirão ao poder projetos arcaicos, que só fazem perpetuar ciclos de alegria efêmera e dor.

A imagem de um Eurico Miranda envelhecido, abatido, e, diz-se por aí, portador de uma incontinência urinária que o faz molhar as calças é o próprio emblema da falta de rumos.
Não só do Vasco, mas de um futebol que terminou sem ocupar a 1ª página da série A. Sem dinheiro, estrangulado pelas condições impostas pelo Profut, sem estádio decente durante boa parte do próximo ano.

Estamos todos, tricolores, flamenguistas e botafoguenses, rindo do naufrágio da caravela. Mas ao rirmos, expomos nossas bocas banguelas.

Por Bruno Leonardo


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Jogadores comemoram gol de Gum, que abriu o placar na vitória diante do Avaí (Imagem: Bruno Haddad/Divulgação FFC)

Eduardo Baptista foi a campo com uma escalação a princípio estranha. Wellington Silva novamente improvisado na esquerda. Higor Leite na direita. Pierre e Jean fazendo a dupla de volantes. Cícero centralizado, jogando na linha de 3 meias.

Embora tenha se mostrado não muito funcional ao longo da partida, a escalação tinha sua razão de ser. O Avaí é uma das equipes mais fracas do campeonato (a meu ver só é melhor que o Joinville), mas tem no seu lado direito sua maior virtude. O lateral Nino Paraíba faz o estilo lateral ultra-ofensivo, à semelhança de Apodi, da Chapecoense. Suas subidas ao ataque recebem sempre o apoio do atacante Anderson Lopes.

Seria um tanto temerário escalar o garoto Ayrton, ainda com visíveis dificuldades defensivas, para guarnecer o setor. Giovanni e Léo Pelé estão retornando de suas respectivas lesões. Breno Lopes é abaixo da crítica. Fazia algum sentido optar por Wellington Silva. Das opções possíveis para a lateral esquerda, era a mais consistente, pelo menos defensivamente.

Na lateral direita, Jonathan, opção mais natural, foi poupado em função de dores musculares. Renato, assim como Breno Lopes, não pode ser considerado opção decente (dá-lhe scout!). Sobrava Jean, recém-recuperado de dores musculares em ambas as coxas (dá-lhe preparação física) e avesso à ideia de jogar de lateral. Não seria agora que toparia (no Flu, jogador escolhe onde atua). Sobrou mesmo Higor Leite.

No comando de meio de campo, tínhamos Gerson suspenso e Vinicius sob licença (remunerada) para encaminhar sua saída do Fluminense. Restava escalar Robert, em baixa no elenco, ou adiantar Cícero. Baptista ficou com a última opção.

O Fluminense mudou as peças, mas não a forma de jogar. Estranhamente coube a Pierre e não a Jean a tarefa de iniciar a saída de bola junto aos zagueiros. E esse foi um erro fundamental.

O Fluminense joga espaçado no seu 4-2-3-1: três jogadores (dois zagueiros e um volante) iniciam a saída de bola, enquanto os laterais avançam. O outro volante agrupa com os 3 da saída de bola para dar opção de passe, mas a linha seguinte, dos 3 meias por trás do Fred, não retorna para agrupar, deixando um vão na intermediária. Os laterais dobram a ocupação dos lados com os meias abertos (Scarpa, Marcos Jr.), em vez de darem opção por dentro, isolando o cara da articulação (Cícero).

Se isso já dificulta o trabalho de quem tem que dar a saída de bola, imagina quando o cara da saída de bola é Pierre e não o Cícero, que sabe achar os homens de frente com passe vertical, enquanto Pierre dá voltas, ou faz o trivial, recuando ou abrindo no lateral.

Com esse estilo de jogo engessado, o resultado é que terminamos o primeiro tempo com 67% de posse de bola e 3 míseras finalizações. Sem escape, o gol só poderia sair de bola parada. E saiu, em bela antecipação de Gum, cabeceando no cantinho. Que fique devidamente registradas as boas atuações de Gum nas duas últimas partidas, pondo em prática o que sabe fazer de melhor: ser um eficiente rebatedor de bolas.

O gol obrigou o Avaí, ameaçado de rebaixamento, a sair de trás e buscar o resultado, mas isso só foi ocorrer de maneira mais efetiva no final da primeira etapa. A tendência manteve-se no 2º tempo e o Fluminense foi inexplicavelmente recuando e aceitando a pressão. Com um agravante: demonstrou dificuldade de jogar atrás e encaixar a marcação. Batemos cabeça.

Andamos no fio da navalha durante os 25 primeiros minutos do 2º tempo e parecia que o empate se anunciava. Nos momentos em que fomos pressionados, uma figura se destacou: Wellington Silva. Venceu disputas de bola com Nino Paraíba, interceptou passes que visavam jogadas em suas costas, e até evitou gol cobrindo cruzamento no 2º pau. Defensivamente uma atuação muito consistente. Ofensivamente, ficou limitado por jogar em lado trocado.

Neste momento do jogo, Eduardo Baptista produziu um acerto. Retirou Jean, pôs Osvaldo e reconduziu Cícero, que se encontrava apagado, à função de 2º volante, onde seu futebol realmente aparece. Mudou o desenho para um 4-4-2, tendo em Osvaldo um 2º atacante móvel para jogar pelos 2 lados. Vale registrar também a inversão de lado entre Scarpa e Marcos Júnior, que fez melhorar um pouco o futebol do primeiro, mais desgastado fisicamente e desobrigado de auxiliar WS na função de acompanhar a dupla Nino-Anderson.

O Fluminense retomava assim o domínio do meio de campo e os gols surgiram. Primeiro aos 29’ em uma jogada na qual Wellington Silva foi pressionar Pablo na linha de fundo e o obrigou a rifar a bola. Marcos Jr. aproveita a sobra e cruza na medida para Osvaldo finalmente desencantar. Onze minutos depois, tabelinha entre o indefectível Wellington Paulista e Fred, resultando numa pintura do capitão, antevendo o arqueiro adiantado e tocando por cobertura. Golaço de quem joga de cabeça erguida. 161 gols com a camisa tricolor, a 5 de se tornar terceiro maior artilheiro do clube isolado.

Léo Gamalho ainda descontaria aos 45’, em um pombo sem asa indefensável. O Fluminense já pode dar adeus a um 2015 que não deixará saudades. E que tinha tudo para ser um ano mais feliz se o Fluminense, mesmo sem brilho, fizesse valer sua condição de time superior sobre equipes de menor investimento, como fez contra o Avaí. Não teríamos perdidos tantos pontos bestas.

Para 2016 a prioridade será se livrar de jogadores caros e decadentes, pouco cobiçados pelo mercado. Henrique, Wellington Paulista e Magno Alves encabeçam a lista. Entubamos esses caras e a única chance de empurrar para alguém é topando dividir salários ou envolvendo em algum tipo de troca, na base do 3 nossos por 1 deles com alguma serventia.

Mas não será suficiente. Lembram quando descartei lá em cima Breno Lopes e Renato como opções de escalação viáveis? Juntem a esses caras Victor Oliveira, João Filipe, Lucas Gomes e Antônio Carlos. O zagueiro Arthur é uma incógnita, mas pelo tempo que está nas Laranjeiras e sequer é relacionado, parece não inspirar confiança.

São jogadores que não podem entrar no time sob o risco de comprometer um resultado. Alguns não titulariam nem em times da série B, sem exagero.

Caso a saída de Vinicius se confirme, reposições no meio de campo se fazem urgentes. Gerson também está de saída e Robert parece nunca conquistar a confiança dos treinadores que passam pelas Laranjeiras. Talvez fosse o caso de emprestá-lo para forçá-lo a sair da zona de conforto que o Fluminense lhe proporciona. Scarpa estará sujeito a convocações para amistosos da seleção olímpica. Eduardo, retornando de empréstimo, é um nome a ser observado, mas ainda abaixo do que realmente necessitamos.

Não faço o tipo preconceituoso com Xerém. Entendo apenas que para brigar na parte de cima da tabela um time constituído só de garotos não vingará. Não por incapacidade, mas pelo fato de não terem se desenvolvido totalmente nos aspectos técnico, físico e mental. Nem tampouco vingará se enchendo de jogadores acima dos 30. Os dois extremos, claro, têm seu lugar e bem utilizados podem ser muito úteis. Mas o Fluminense também precisa ser abastecido de bons jogadores na faixa entre 23-28 anos, faixa em que a maioria dos jogadores estão no seu ápice.

Observem os 6 primeiros colocados no campeonato e observem se não existem ao menos de 3 a 4 jogadores nessa faixa-etária, atravessando o melhor momento da carreira.

No ataque, perspectiva de boa concorrência entre Osvaldo e Biro-Biro, com vantagem para o último, que fez grande temporada. Falta um reserva confiável para Fred. O nome de Alecsandro vem sendo especulado e recai no que falei antes: jogador caro e em fase declinante.

Para concluir, mais do que uma montagem equilibrada do elenco para 2016, espero que a gestão de grupo não seja tão desastrosa quanto a deste ano. Olhem para como Tite gerencia o grupo do Corinthians e foi capaz de fazer um time reserva comer a bola e jantar o time do São Paulo numa goleada histórica. É preciso fazer com que todos se sintam úteis e incluídos nos planos do treinador.

Podem começar por Edson, um cara que reabilitado tem tudo para se tornar um dos melhores volantes em atuação no Brasil. É um desperdício desistir dele. Outro ponto importante para não descartar jogador é parar de contratar quem não tem condições de vestir nossa camisa.

Tiro Livre:

- Belíssima festa da torcida em Cariacica. Recebeu o time com carinho e uma nuvem de pó de arroz, disposta a levar o time no colo. O Fluminense precisava desse bálsamo, após tantos tropeços. A torcida capixaba merece aplausos.

- O estádio Kléber de Andrade é um belo equipamento esportivo e pode ser alternativa para alguns jogos da Liga Rio-Sul-Minas, caso o campeonato realmente saia do papel. Boa capacidade, bom estado de conservação e torcida receptiva.

- Grandes chances de um certo clube de São Cristóvão chegar à última rodada precisando de nossos valiosos serviços. Penso que ao Fluminense não cabe nem entregar jogo nem atuar como se estivesse lutando por um prato de comida. Encaremos como um jogo normal e procuremos nos divertir com os acessos súbitos de humildade de quem sempre fez questão de nos espezinhar. Que se fodam.

Por Bruno Leonardo



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Quando Eduardo Baptista assumiu o cargo de treinador do Fluminense, logo me pus a imaginar a figura de uma esfinge guardando a entrada das Laranjeiras, lançando-lhe o famoso desafio: “decifra-me ou te devoro”, à semelhança do personagem mitológico Édipo, quando se defrontou com a monstruosa figura na entrada da cidade de Tebas.

Em contextos e gestões diferentes até nomes de prestígio no mercado como Cuca, Muricy e Abel foram devorados pela esfinge da política tricolor. Todos saíram ressentidos, se sentindo desprestigiados e vítimas de conjunturas políticas que não conseguiram identificar com clareza. A permanência de um treinador no Fluminense envolve a leitura de uma intricada trama que mescla vaidades da cartolagem, controle de egos no vestiário, prêmios e salários atrasados, promessas não cumpridas, elencos desequilibrados, etc.

Eduardo não escolheu um clube qualquer para treinar, escolheu um gigante adoecido. Em levantamento recente feito pelo jornal mexicano “El Economista” envolvendo as dez maiores ligas de futebol do mundo, para saber quais os times que mais mudaram de técnico desde 2002, o Fluminense aparece encabeçando a lista. A prática é mantida pelo atual comando de futebol, que já acumula o quarto treinador em menos de um ano.

Não estivesse o Fluminense subordinado ao projeto pessoal de poder de Mário Bittencourt, este já teria sido demitido, provavelmente da mesma forma covarde e sumária com que já demitiu treinadores por ele mesmo escolhidos.

Poucos gerentes de futebol no Brasil, em condições normais, sobreviveriam a 18 derrotas no campeonato brasileiro, quase um turno inteiro de derrotas. À condição de lanterna do returno, com indigentes 10 pontos. A três trocas infrutíferas de treinador. À contratação desastrosa de Ronaldinho Gaúcho.

Nenhum gerente de futebol que se respeite permite que um jogador como Vinicius, com contrato em vigência, se ausente de um jogo para negociar transferência para outro clube. A anuência, até onde se sabe, não veio acompanhada de um desconto em seu salário. É tudo muito mole e fácil.

O Fluminense  atual, digo com dor no coração, é uma zona. Uma máquina de triturar gente.

Por isso, louvo o esforço de alguns confrades da escrita no sentido de oferecer sugestões de contratação de técnico ou jogador para a próxima temporada. Certamente escolhas criteriosas hão de surtir algum resultado. Mas é questão de tempo para que quaisquer avanços sejam boicotados por um ambiente de trabalho montado para não funcionar.

Esta mediocridade gerencial que assola as Laranjeiras pleiteia continuidade. E só parece boa o suficiente para merecer seu voto por contraste, quando comparada à provável candidatura do jurássico Celso Barros. Não é a possibilidade de ver Celso Barros, o mecenas falido, voltar ao poder que configura uma ameaça.

A maior ameaça que enfrentamos é ficarmos sempre presos a polarizações políticas de segunda categoria. Escolher entre o sujo e o mal lavado, entre o advogado que se mete a gerente de futebol e um executivo que levou sua cooperativa a um estado pré-falimentar, e que na primeira oportunidade vai reconduzir às Laranjeiras um séquito de ressentidos, encabeçados por Renato Gaúcho, Sandrão e Alcides Antunes, isso é que assusta.

O argumento de que o investimento no futebol este ano está mais reduzido e que passamos por um processo de transição já foi testado e não cola mais. Clubes como Ponte Preta, Atlético-PR e Chapecoense, com orçamentos menores e constantes trocas de técnico, fazem campanha melhor. Se considerarmos o returno apenas, todos fazem campanhas melhores.

O futebol brasileiro passa por uma crise técnica e financeira. Mesmo o Corinthians, campeão brasileiro, não é um time recheado de craques. Assim como o nosso adversário de ontem, o Grêmio, é um time que tem a marca do trabalho, da repetição de jogadas, da jogada insistentemente lapidada. Na falta de talento, compensa-se com eficiência.

O Grêmio provavelmente nos venceria mesmo sem o pênalti marcado. É apenas um time bem treinado e isso faz toda a diferença. Ganhou sem sobras do lanterna do returno, o que faz parecer que a diferença para o Flu é ínfima e fica na conta de erros de arbitragem ou do retardo mental do Gerson. Mas de vitória em vitória por diferença mínima está inabalável no 3º lugar e irá para a Libertadores. A diferença abissal não se estabelece no duelo direto em campo, mas na constância e no foco dentro do campeonato. O Grêmio é 90% trabalho e 10% talento. Eis uma fórmula na qual o Fluminense não acredita. No Fluminense não se treina com afinco nem cobrança de faltas. Fomos capazes de passar um campeonato inteiro sem arranjarmos um batedor. Nem Ronaldinho Gaúcho nos tirou dessa condição.

Encerrado o primeiro tempo do jogo, o tricolor genérico do sul acumulava 12 finalizações contra apenas 5 nossas. Os gaúchos alternavam arremates na trave com conclusões tortas sobre o gol, mas reparem: sem nunca diminuir o ritmo de jogo, sem jamais abdicar de pressionar, marcar, confundir a marcação adversária com movimentação. No time dos caras, até os volantes Wallace e Ramiro se projetam à linha de fundo para cruzar. Douglas e Giuliano invertem posições. Luan sai da área e se infiltra entra nossas duas linhas de 4 para armar jogadas, enquanto Everton preenche a grande área. Tudo com pouco brilho técnico, mas muita correria, intensidade, fé de que aquilo vai dar em alguma coisa. Se tivessem um finalizador mais qualificado poderiam ter encerrado o jogo com um placar mais elástico.

Já no Fluminense reinava a pasmaceira. Não se fazia pressão na saída de bola, laterais ficavam presos à defesa e não subiam, Osvaldo sempre tentava mais um drible e desperdiçava a oportunidade de um cruzamento. Passamos todo o 1º tempo sem alternar posições entre Scarpa, Osvaldo e Marcos Júnior, tornando fácil o encaixe defensivo do adversário. Éramos lentos na transição para o ataque e na recomposição defensiva. E na impossibilidade de se contar com Vinicius, Eduardo Baptista centralizou Scarpa, que não se encontrou nesta função. Na volta para o 2º tempo, Baptista tentou consertar, reconduzindo Scarpa à posição onde é mais efetivo: aberto na meia esquerda. Para tanto, Osvaldo foi sacado. Quem ocuparia, portanto, a faixa central?

Gerson.

Sem saber, Baptista assinaria o próprio atestado de óbito do time na partida.

Em 18 minutos de jogo, Gerson desfilou um repertório de atitudes dementes. Aplicou falta dura e sem necessidade para interromper contra-ataque de Luan, no meio de campo. Não satisfeito, resolveu bloquear uma cobrança de escanteio com o braço acintosamente aberto, lance pelo qual poderia ter sido expulso com o segundo amarelo. Para dar um gran finale a seu recital de descompromisso, escolheu novamente Luan como alvo e entrou de sola na canela do atacante gremista, numa falta criminosa que lhe rendeu um cartão vermelho direto.

No vestiário, Gerson receberia do seu treinador um cartão vermelho moral, sendo chamado aos berros de irresponsável.

Justo tratamento a quem retribui o Fluminense com atuações relapsas. Se está próximo de realizar o seu sonho e o de seu pai de jogar na Europa, Gerson deve ao Tricolor das Laranjeiras. Não precisa ser velho e vivido para saber praticar a gratidão. Basta ter caráter. E isso independe de idade.

Depende é de berço. E nesse quesito Gerson está muito mal servido.

Corremos, nas projeções dos matemáticos, chances minúsculas de rebaixamento. Espero poder comemorar uma vitória ante Inter ou Avaí e considerar o ano encerrado.

A Mário e Simone, faço um apelo, sem qualquer cunho político: peçam demissão ao fim do campeonato. Sem demora. Não é só pelos resultados. É pelo desconhecimento do ofício. Ganha o clube e ganha Mário, cuja candidatura ficaria dissociada dos resultados de campo. Sobraria mais tempo para brincarem com um desses fantasy games da moda e simular uma extensão de contrato para o Wellington Paulista. Ou chamar o Drubscky de volta.

Tiro Livre:

- Onde está o presidente Peter? É conveniente botar a dupla dinâmica para levar bordoada enquanto se finge de morto.

- Gum teve ótima atuação, daquelas que só confirmam que toda regra tem suas exceções.

- Peritos constataram que a barragem das Laranjeiras pode romper a qualquer momento pelo excesso de rejeitos que contratamos e não paramos de acumular. Alecsandro pode ser o próximo. Estamos na iminência de uma tragédia ambiental sem precedentes.

Por Bruno Leonardo


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29'/1ºT: Wellington Silva perde uma disputa na lateral esquerda para Maranhão, que chega à linha de fundo e cruza. Agachado, Túlio de Melo se antecipa a Gum, que marcava a jogada, e gol da Chapecoense.

33'/1ºT: Escanteio para a Chapecoense. O zagueiro William Thiego aguarda a cobrança dentro da área, é acompanhado por Jean, que desiste da marcação, e se projeta para cabecear. Gum chega atrasado na cobertura e gol da Chapecoense.

18'/2ºT: Rifada de bola de Wellington Silva, Gustavo Scarpa tenta o domínio da bola entre Gil e Apodi e perde a disputa. Gil avança com a pelota pelo setor direito de ataque. Neste momento, Gum está na marcação de Camilo. De repente, resolve se afastar e correr para dentro da área. Camilo recebe o passe de Gil, entre Jean e Cícero, ambos dispersos na jogada, e chuta livre na entrada da área no canto direito de Cavalieri.

Nos 3 gols adversários, contribuição efetiva de Gum. Com um toque de falha individual de seus companheiros, é claro. Um zagueiro está sempre em apuros se precisa consertar a lambança de um lateral desengonçado. Ou se não recebe proteção eficaz dos seus volantes. Mas nada disso isenta nosso valente e limitado zagueiro.

Os gols que levamos têm sido fruto de falhas individuais distribuídas entre diferentes jogadores. Gum tem sido o elemento comum em quase todos eles. Erra e depois vai tomar satisfação com seus companheiros como se não tivesse qualquer responsabilidade no gol. Considera-se um líder. É remanescente do título de 2012 e deve achar que isso lhe confere uma moral especial. Assim como Jean e sua polivalência nota 6, ou Cavalieri, que se tornou um goleiro comum.

A exceção dessa patota é Fred, que continua fazendo a diferença. Os demais se alimentam da zona de conforto que lhe oferecem. Podem errar, se omitir, ou jogar longe do limite, que estão lá, gozando de titularidade. Os erros que sacramentam a barração dos demais, como aconteceu com Edson, não valem para os cardeais de 2012.

Pelo contrário. Na coletiva pós-jogo lá estava Eduardo Baptista fazendo questão de confirmar que seus titulares continuam sendo Marlon e .....Gum. O próprio Marlon sai em defesa de seu companheiro dizendo que as vaias são imerecidas e que “sempre sobra pro Gum “. Coitado.

Há muita peninha de jogador no Fluminense, traço da nossa cultura avessa a críticas, que as considera sentenças de morte.

Só não existe peninha de você torcedor que despencou de casa, enfrentou vento frio e chuva, ruas alagadas e chegou tarde da noite em casa, enfrentando os riscos de uma cidade violenta como o Rio.

Se houve tal consideração com você que abdicou do conforto de casa para ir torcer, ela durou os 15/20 minutos iniciais de cada tempo, pois foi justamente nessa faixa do jogo em que fizemos nossos gols e imprimimos volume, movimentação, pressão na marcação . Depois vem o indefectível recuo. Não o recuo de quem arma o bote para contra-atacar, mas de quem especula com o jogo e joga conforme a necessidade. Assistimos bovinamente à Chapeconse se plantar no nosso campo e fazer a transição sem ser incomodada.

Daí os caras empatam, a defesa dá seu costumeiro apagão e em poucos minutos leva a virada, como tantas vezes já vimos neste campeonato e na semifinal da Copa do Brasil.  É preciso mudar o panorama da partida.

Entra em ação uma faceta de Eduardo Baptista que o assemelha a Cristóvão Borges. O plano A é bonito. O time mostra padrão de jogo, organização, você percebe que há um time bem treinado em campo.  O plano B, no entanto, é ruim. Baptista raramente consegue êxito quando precisa alterar o panorama da partida com substituições. Contra o Vasco, tirou Gerson, pôs Wellington Paulista e perdeu o meio. Ontem sacou Vinicius, recuou Gerson, que vinha apagado, e perdeu articulação na faixa central. Entrou com Magno Alves, jogador no qual se tivesse confiança, escalaria de início.

O Fluminense passou a forçar a jogada pelos lados e alçava bolas na área como se Fred estivesse lá. Sacam a síndrome da perna fantasma? O cara é amputado, mas continua sentindo a perna, como se ela ainda estivesse lá. O Flu com o Fred é a mesma coisa. Com Magno Alves não tem pivô, tabela, jogada forte de bola alta, nada. É o “um a menos” que Baptista tenta evitar quando escala o time sem centroavante.

Não satisfeito, Baptista sacou Jonathan, deslocou Wellington Silva para a lateral direita, e mais uma vez sacrificou seu melhor jogador de meio, Scarpa, na lateral. Em dado momento nossa linha de três meias-atacantes ficou a cargo do inoperante Osvaldo, do desinteressado Gerson e de Robert, que este colunista aqui pedia, mas não entrou bem. Não ganhamos efetividade pelo meio, perdemos a profundidade pela direita com Marcos Júnior e passamos a ter um limpador de pára-brisa (esquerda-direita, esquerda-direita) com Osvaldo.

Mantenho o pensamento de que há uma evolução no trabalho de Baptista. O Fluminense hoje é mais ofensivo e propositivo. Tenta ser o condutor e não passageiro do jogo. Mas precisa perder a faceta Cristóvão nas substituições. Precisa parar de desconstruir a própria proposta de jogo.

No mais, é feliz 2016. O ano, do ponto de vista anímico, acabou.

Esse grupo obedece a uma lógica binária. Só entende a linguagem da busca do título ou da fuga do rebaixamento. Qualquer objetivo intermediário causa bocejos e não vale o estresse de encharcar o uniforme. Buscar sexto lugar para conquistar classificação direta para as oitavas da Copa do Brasil constitui meta abstrata demais para conquistar mentes e corações desse grupo. Ainda mais com a gestão de pessoas inexistente nas Laranjeiras.

Felizmente havia um Vasco no meio do caminho. A rivalidade, turbinada nos últimos meses, funcionou mais como fonte de motivação do que a obrigação de sempre representar bem o Fluminense.

Temos o orçamento comprometido por contratações caras e regidas por contratos longos,  que abrem pouco espaço para reforços. Sempre tendo em mente que quem evitou o rebaixamento foi a mescla Xerém + medalhões da casa. O famoso scout só vingou com Giovanni e Vinicius. No mais, só despejou entulho.

Bom ânimo para os tricolores de fé. Um abraço aos que jamais irão se conformar com 17 derrotas no campeonato. É preciso resistir ao discurso vigente e conformista de que sem a Unimed está de bom tamanho não ser rebaixado. Como se o tamanho do Fluminense, sem a antiga patrocinadora, fosse este. Diga não ao apequenamento do clube. Caso contrário, a freguesia para a Chapecoense corre o risco de se prolongar. E passaremos nós a ser a zebra.

Tiro Livre:

- Boa partida do Jonathan, considerando o longo tempo de inatividade. Ainda um pouco pesado e acima do peso, mas não passou dificuldades na defesa e fez o cruzamento para o segundo gol. Foi beneficiado pelo fato do lado esquerdo do ataque da Chapecoense ser bem menos ofensivo que o direito.

- Seu companheiro de lateral, Wellington Silva, tomou uma canseira de Maranhão, enquanto atuou pela esquerda. Além do cruzamento de 3 dedos que resultou no primeiro gol catarinense, Maranhão criou outras oportunidades de gol em cima do lateral tricolor. Apesar de canhoto também, complicava quando puxava a jogada para a perna direita e obrigava Silva a usar a perna ceguinha para interceptar o drible.

- Belíssima homenagem do Fluminense antes do início da partida ao torcedor Flávio Mendes, morto em decorrência do atendimento negligente prestado a ele no Allianz Parque. Também digna de nota a lembrança do falecimento do pai do jornalista Sidney Garambone, também torcedor do Tricolor.

 Por Bruno Leonardo
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Fred comemora a vitória tricolor sobre o Vasco em um camarote do Engenhão (Imagem: reprodução Sportv)

Eu pensei em escrever este texto com comedimento para dizer que o Vasco e seus torcedores são uma coisa, e que Eurico Miranda é outra.

No fundo eu sei que são coisas distintas, mas deixo este exercício do discernimento para quem estiver dotado da devida paciência. Não acordei com pendor para o politicamente correto.

Prefiro lembrar que quem elegeu o consumidor de falos fumegantes foi um punhado grande de vascaínos. Assim como um punhado grande de vascaínos, iludidos com a proteção do ecossistema FERJ, batia no peito e corria às redes sociais para dizer: “o respeito voltou”.

Nesta onda de delírio coletivo, vi alguns vascaínos de renome, escritor Paulo Coelho incluído, repetir a ladainha. O respeito, constrangido com o uso indevido de seu nome, sentou à margem do Rio Guandu, e chorou.

Acontece que o futebol brasileiro e a CBF são outros charutos.

O apito funciona ao contrário. Na hora da dificuldade, aponta-se também a marca da cal, mas contra.

Jogadores que trocam socos e pontapés não têm o julgamento postergado ad eternum, como ocorre no tribunal local, a casa das cartas marcadas.

O aliciamento da base tricolor, que aqui conta com a complacência da federação bandida, é punido pela CBF e repreendido por outros clubes formadores.

Não que a CBF seja uma ilha de jogo limpo, longe disso. Trata-se apenas de um esquema no qual Eurico não ocupa a cabeceira da mesa, não legisla via arbitral. É preciso beijar mãos.

O campeonato brasileiro, portanto, vira um oceano hostil para a caravela náufraga. Um choque de realidade brutal.

E como a malandragem coca-cola, esse traço tão típico do caráter nacional, sempre é pega na curva, o outrora gigante da colina teve um encontro fatídico com seu rival de campo e bastidores. Faltava uma bala de canhão nossa no casco da nau pra ajudá-la a adernar de vez. Agora não falta mais.

Estava entalada na garganta a freguesia. Três anos, 10 jogos. Curiosamente nossa última vitória havia sido no Engenhão, estádio de saudosas lembranças, nosso salão de festas. E veio na melhor hora.

O escrete tricolor esbanjou maturidade. Com a eliminação doída na Copa do Brasil na cabeça, a equipe soube encontrar na rivalidade uma fonte de motivação, mas sem se perder em provocações e briguinhas. O troco foi dado, mas executado de forma fria, com a bola rodando de pé em pé.

Percebem como aos poucos aquele time do Enderson, que tinha dificuldade de reter a bola na frente, de exercer algum nível de controle do jogo no meio de campo, hoje é uma equipe que põe a bola no chão?

Pela segunda partida consecutiva terminamos uma partida com mais posse de bola e mais finalizações a gol. Contra o Palmeiras, na quarta-feira, 59% contra 41% de posse de bola, 13 finalizações contra 8. Contra o Vasco, 52% contra 48%, 11 finalizações contra 10.

Longe de mim querer transformar posse de bola e finalizações a gol em verdades absolutas do futebol. Sequer significam por si só controle do jogo. Mas na forma como dominamos o segundo tempo contra a equipe paulista e em todo a partida de ontem, os números refletem controle. E refletem um time que ao contrário do que se via até pouco tempo atrás, já não tenta obter o máximo de resultado fazendo o mínimo.

Em outras palavras, o Fluminense começa a se impor com volume de jogo, constrói seus gols em vez de achá-los. Para que não fiquemos presos a um resultadismo retrógrado, é preciso que atentemos para a gradativa evolução do trabalho de Baptista. É a forma mais correta de se avaliar um trabalho.

Baptista tem demonstrado coragem. Percebendo que não há no elenco alternativa decente à ausência de Fred, nosso treinador mudou o paradigma e mandou o time a campo sem centroavante, uma vez que entrar com Wellington Paulista ou Magno Alves seria dar à defesa do Vasco uma referência estática. O Fluminense criava espaços pelos lados com Gerson e Osvaldo, que atraíam a marcação e abriam espaços pelo meio para a incursão de Vinicius ou Scarpa na área, confundindo a dupla Rodrigo e Luan. Por vezes, o próprio Gerson se posicionava à maneira de um falso 9.

O contra-ataque, que antes não fluía e morria ainda no nascedouro, agora acontece. Falta apenas inteligência e qualidade na conclusão.

Outra escolha de certa ousadia foi escalar Wellington Silva na esquerda, que se mostrou acertada, em que pese o inegável estilo peladeiro do jogador e o gol bisonhamente perdido no final. Valeu pela segurança defensiva, pelo gol salvo em cima da linha e até pelo bom entendimento com o Scarpa. Mas pelo fraque de Oscar Cox, como é ruim esse sujeito!

O restante do campeonato servirá como campo de observações para Eduardo. Com quem poderá contar para o ano que vem, quem deverá integrar a barca, quais carências precisam ser preenchidas. Essa observação será tão mais proveitosa quanto mais ele tiver êxito em manter o elenco motivado. Desafio complicado, porque a esta altura, contatos já estão sendo feitos e alguns jogadores já procuram seu rumo. Serão 3 jogos em casa, uma chance remotíssima de terminar no G4 e uma chance mais polpuda de terminar o campeonato dignamente.

Vai pra cima, Fluminense.

Vamos aproveitar este resto de feriado e rir um pouco mais do charuteiro safado. Aquele que de tanto se preocupar com o lado direito do Maracanã, vai conduzir seu clube ao lado B do futebol brasileiro. O terceiro rebaixamento em 7 anos. Vale música no Fantástico?

Por fim, dirijo-me a você, caro leitor. Pegue leve com seus amigos vascaínos. Entre o futebol e a amizade, sabemos que a amizade vem em primeiro lugar. O Vasco, naturalmente, vem em segundo.

Tiro Livre:

- Scarpa já é uma realidade e dá mostras de que manterá seu crescimento no ano que vem. Tem visão de jogo, velocidade, boa conclusão, e sobretudo humildade. Fazia tempo que um meia oriundo da base não vingava no profissional neste nível. Como perdemos tempo com ele na lateral.

- Uma pena que Gerson só tenha reencontrado seu futebol nesta reta final de campeonato. Voltou a ser o jogador incisivo e que dá continuidade às jogadas, sem apelar para o cai-cai. Até na marcação tem contribuído. O único problema é quando se entrega desta forma às partidas, se ressente do desgaste físico e acaba sendo substituído precocemente, como aconteceu ontem.

- E por falar nisso, a única substituição de Baptista que não fez sentido para mim foi a entrada do indefectível Wellington Paulista. É incrível a moral que este jogador tem no Fluminense, em que pese o fato das suas atuações jamais justificarem. Fica a pergunta: por que Robert, Lucas Gomes, Douglas e Edson não desfrutam da mesma compreensão e paciência? Estão encostados por qual motivo?

Por Bruno Leonardo


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