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Imagem: Nelson Perez / Fluminense FC
Pegue qualquer time da parte de cima da tabela – que ainda sonhe com coisas grandes no Brasileirão – e coloque para enfrentar, em casa, um adversário frágil, limitado, que trava intensa luta contra o rebaixamento desde o início do campeonato. Em 99% dos casos, espera-se uma vitória tranquila da equipe superior.

E as expectativas geralmente são confirmadas. Aquele 2 a 0 sem sustos, que representa a superioridade e o domínio vistos em campo. Mas o Fluminense de Levir não é qualquer um.

O torcedor tem a certeza, desde antes da partida, de que não será fácil. Caso venha o resultado positivo, vai ser no sufoco, no detalhe, por uma diferença mínima. E é prejudicial ao clube que isso seja justificado pela lógica do “Se não é sofrido, não é Fluminense”.

Deveria ser obrigação controlar as ações contra um adversário fraquíssimo, ainda mais em se tratando de um jogo dentro de casa. Mesmo que os três pontos viessem, o sufoco sofrido no 2º tempo, por si só, representa a derrota de um treinador ultrapassado, que não almeja mais nada no futebol.

Prestes a completar oito meses no comando da equipe, Levir apresentou um interessante modelo de jogo contra as potências do Campeonato Carioca e parou por aí, salvo raríssimas exceções no Brasileirão e na Copa do Brasil. Um time ajustado coletivamente na defesa – que peca por erros individuais – e que não apresenta nenhum, absolutamente nenhum, padrão de jogo ofensivo.

Coitado de Gustavo Scarpa, que se vê obrigado a tomar, quase sozinho, as rédeas da criação no terço final, pois o treinador é incapaz de pôr em prática qualquer ideia relacionada a esse aspecto.

A oscilação normal para quem enfrenta essa situação e ainda é muito jovem torna-se prato cheio para opiniões superficiais. “Tá com a cabeça na Europa”, “jogador de rede social”, dizem alguns. Tudo para isentar de culpas o técnico medalhão tão solicitado quando lincharam uma ótima aposta de longo prazo por conta de um mês de temporada.

O argumento de que o elenco é fraco – não é – perde qualquer força ao olhar rapidamente para a classificação do campeonato. Ou alguém, em sã consciência, acredita que o Botafogo é recheado de craques e possui jogadores superiores aos que temos?

Em 2016, com ideias tão avançadas de futebol sendo dissipadas aos quatro cantos, não faltam exemplos de comandantes que extraem o máximo de seus atletas, independente do nível, e formam equipes competitivas, capazes de fazer frente a qualquer adversário e dominar os que ficaram para trás.

Todo time tem seus dias ruins durante o ano. O problema é quando se torna regra e não exceção. A sequência era ótima para o Fluminense deslanchar e se aproximar de uma vaga para a Libertadores.

Como resultados, o torcedor recebeu uma merecida derrota em casa para o pior São Paulo dos últimos anos, um empate com um a mais diante de um medíocre Coritiba e outro tropeço em casa contra um dos mais fracos do Brasileirão. Sintomático.

As chances agora são meramente matemáticas. Caso houvesse diálogo entre as chapas concorrentes, era o momento para já decidirem o melhor para o futebol do clube em 2017. O nome de Roger Machado, discutido nos bastidores, é o que mais agrada entre as opções do mercado.

Mas não adianta colocar no comando um treinador promissor, que demande paciência com os resultados a curto e médio prazo, e já pedir sua cabeça exposta em praça pública no primeiro momento de instabilidade. Porque aí se repetirá o ciclo do resultadismo visto em 2016 e em diversos outros anos, que parece fadado à eternidade no Fluminense.

Como esse cenário é utópico, a decisão mais racional para agora é encerrar o vínculo com Levir e deixar que Marcão assuma o grupo até o fim da temporada. Para 2017, independente do candidato eleito, esperamos uma gestão que acompanhe a modernidade das instalações do CT na hora de administrar o futebol.
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Imagem: Mailson Santana / Fluminense FC
Segunda rodada do Brasileirão: após vitória na estreia, o Fluminense batia o Santa Cruz até Jailson Freitas inventar pênalti em Grafite. Quinta rodada: depois de ganhar o Clássico Vovô, o time desperdiçou boas chances no Independência e ficou apenas no empate diante de um combalido Atlético, ainda na parte de baixo da tabela. Décima nona rodada: vindo de goleada sobre a Ponte em Edson Passos, um Inter em pedaços no Beira-Rio era o adversário perfeito para embalar. Mais um tropeço.  

Dentre outras, essas foram as principais oportunidades de emendar duas vitórias consecutivas desperdiçadas pela equipe de Levir Culpi na competição. Faltava uma sequência de resultados capaz de nos fazer acreditar em coisas grandes no Brasileirão. Nesse aspecto, a apertada vitória contra o Santa Cruz por 1 a 0, no Arruda, é animadora. A atuação passou longe de encher os olhos, mas, em um campeonato tão equilibrado, é fundamental conquistar o resultado quando se joga “mal”.


A importância de vitórias consecutivas vai além dos pontos somados na classificação. Uma progressão de êxitos revigora o estado anímico e enche o elenco de confiança, fator chave para qualquer sucesso no futebol. De nada adianta possuir bons jogadores, um modelo de jogo definido e um técnico com tempo de trabalho se o grupo não acredita na sua capacidade e não consegue vislumbrar voos mais altos. A inconstância destrói até projetos de grande potencial.  

Para voltar ao exemplo de 2011, citado por aqui na última coluna, foram quatro vitórias seguidas na virada de turno. Um time irregular, de meio de tabela e que não inspirava nenhuma confiança transformou-se em um real postulante ao título. Sonhar com o penta talvez seja exagerado à essa altura, porém está longe de ser inviável uma disputa por vaga na Libertadores. Todos os integrantes do bolo de cima oscilam e, com isso, abrem brechas para clubes da zona intermediária. Com um jogo a menos, a distância virtual do Fluminense para o G4 pode deixar de existir dentro de uma ou duas rodadas.

No entanto, será necessário jogar mais para bater o líder Palmeiras, no próximo domingo, no Mané Garrincha. E o próprio Levir reconhece. Os seis pontos contra América e Santa Cruz devem ser, sim, comemorados, independente do nível das atuações contra os dois últimos colocados. Há de se celebrar, também, que os dois resultados foram conquistados com gols de Henrique Dourado. O atacante apresenta evolução gradativa e já é um pilar do setor ofensivo, como esperado após sua contratação.

O ponto negativo fica por conta de mais uma atuação abaixo da crítica de Edson. Seu poder de marcação não compensa diante dos muitos erros que comete, comprometendo a saída de bola e pondo em risco a organização da melhor defesa do campeonato (!). Até mesmo Pierre, tão criticado, em especial pela recente renovação de contrato, entrou e foi mais eficiente que o camisa 8. Com a chegada de Orejuela, não vejo espaço para nenhum dos dois no elenco e espero que pelo menos um deles seja negociado.


A lamentar que o embate com o Palmeiras seja disputado em Brasília, onde o Fluminense nunca se sente em casa e raramente se dá bem. Fosse em Edson Passos e os ingressos rapidamente se esgotariam para o que já é o jogo mais importante do campeonato para o Tricolor, até aqui. Com a semana livre para treinos, será essencial preparar um time que produza mais do que vem produzindo em aspectos ofensivos, pois apenas solidez defensiva pode não ser suficiente contra o líder do Brasileirão.
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Imagem: Mailson Santana / Fluminense FC
Todo tricolor que conhece mais a fundo o time pelo qual torce já esperava um tropeço contra um Inter em frangalhos, há dez partidas sem conhecer uma vitória (oito derrotas). Mas não precisava ser com requintes de crueldade. 

O Fluminense iniciou disposto a matar o jogo ainda no começo e logo abriu o placar no golaço de Scarpa aos dois minutos. Não recuou e seguiu com o controle da partida, comandado por um Scarpa dominante na intermediária ofensiva e por Douglas e Cícero cada vez mais donos do meio-campo.

Do outro lado, um bando de jogadores que sequer demonstrava resquícios de um esquema tático ou de um plano ofensivo de jogadas. Uma vez com a bola no terço final, os colorados arriscavam chutes de qualquer jeito, seja por falta de alternativa melhor ou pelo desespero de atletas em uma situação cada vez mais crítica, na qual sentem a necessidade de resolver todos os problemas em um único lance. Muito semelhante a uma certa seleção verde e amarela. 

E foi na base da tentativa de ser herói que Seijas, primeiro, obrigou Cavalieri a fazer grande defesa e, depois, empatou no minuto derradeiro da etapa inicial. O gol do venezuelano foi logo depois de uma (in)decisão extremamente infeliz de William Matheus. O Fluminense tinha flagrante superioridade numérica em um contra-ataque capaz de matar o jogo, mas o lateral prendeu a bola até ser desarmado e o castigo veio a cavalo. Minha reação a essa sequência de acontecimentos foi impublicável. 

Quando o Flu ainda vencia por 1 a 0, Gum marcou de cabeça e viu seu tento ser anulado após a arbitragem alegar participação de Cícero na jogada. Considero a marcação no máximo questionável, não vi como um erro determinante para o resultado.

Pode ter passado despercebido para muitos, porém a participação de Henrique Dourado me agradou. Não se escondeu do jogo e realizou de maneira efetiva o trabalho de pivô que dele se espera, prestando auxílio à linha de meias. A não ser por uma questão física não divulgada, não houve justificativa plausível para a troca por Samuel no intervalo. 

Diferente da correta substituição de um errático e nervoso Marcos Jr. por Danilinho, que entrou bem e contribuiu com uma assistência para o segundo gol de Scarpa, quando o equilíbrio era a tônica da partida. Vale destacar, também, a arrancada de Wellington na origem da jogada. A cria de Xerém impressiona por sua velocidade infernal aliada à agilidade na tomada inteligente de decisões. Com apenas três jogos, já é nítida a importância do camisa 11 para o time. 

O segundo gol colorado, já na reta final, é daqueles que fica passando na cabeça por um bom tempo, tamanha a bobeada da defesa com a bola "viva" na grande área. Assim como o gol, ficará como triste memória o tropeço diante de uma equipe que apresenta o pior futebol do campeonato nas últimas rodadas – Falcão foi demitido após cinco partidas.  Retrato de um Fluminense que não consegue decolar no Brasileirão, incapaz até mesmo de conseguir duas vitórias consecutivas. 

Para os mais supersticiosos, o Tricolor encerrou o primeiro turno de 2011 com os mesmos 25 pontos que tem, com 18 jogos, hoje. Na ocasião, o clube ocupava a 11ª colocação, uma abaixo da atual, e teve apenas um empate na primeira metade do certame nacional, bem menos que os sete deste ano. O segundo turno foi um show à parte de Deco, Fred e cia coroado com o terceiro lugar e a vaga direta para a Libertadores.

Não quero comparar a qualidade técnica dos dois elencos, mas serve de combustível para sonharmos com uma sequência mais vitoriosa no restante de 2016. Será muito difícil alcançar a parte de cima da tabela, porém é fundamental definir um time, manter um padrão de jogo e chegar na ponta dos cascos para a Copa do Brasil, na qual temos reais chances. 

Na próxima rodada, um América em ascensão, que se encontrou sob o comando de Enderson Moreira. O novo treinador já segurou um 0 a 0 com o Grêmio e venceu o Santos, dois dos postulantes ao título. Extrema dificuldade pela frente em Cariacica, onde espero ver o estádio cheio de tricolores para empurrar o Fluminense rumo a novas perspectivas no segundo turno.
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*Por Daniel Souza

O Fluminense conseguiu um resultado importantíssimo em sua caminhada no Campeonato Brasileiro.  Venceu a Ponte Preta for 3 a 0, com mais uma ótima participação da torcida tricolor, que parece ter comprado a ideia de jogar em Edson Passos. Tanto ontem quanto diante do Cruzeiro, abraçou o time e criou uma atmosfera hostil ao adversário. Depois de seis meses jogando em campos praticamente neutros, é bom demais jogar em casa.
Aos que não viram o jogo,o placar sugere uma partida fácil e sem sustos, porém, não foi isso que aconteceu. O Fluminense, ao contrário de outros jogos em que perdeu dúzias de gols, dessa vez teve apenas cinco finalizações em toda a partida, das quais três resultaram em gol. Para que se tenha uma ideia, a Ponte finalizou quinze vezes (mas com péssima pontaria, ameaçou pouco – apenas três dessas finalizações foram na direção do gol). Fomos muito eficientes, o que compensou alguns jogos em que pecamos nas finalizações e definições de jogadas.
Não considero que tenha sido uma grande atuação. No primeiro tempo, o Tricolor pouco produziu além do gol – em cobrança de falta, Scarpa cruzou e Cícero, um pouco impedido, testou para o gol. A Ponte chegou a esboçar uma pressão nos minutos finais da primeira etapa, mas não definiu bem as jogadas e ofereceu pouco perigo real ao nosso time.
Assim como diante do Ypiranga, Wellington entrou no intervalo e mostrou serviço. Já com 2 minutos, tabelou com Marcos Junior e por pouco não conseguiu passe certeiro para Henrique Dourado finalizar. Ainda nos primeiros minutos, mais uma assistência de Scarpa para gol de cabeça de Cícero.
A partir desse momento, o jogo foi administrado pelo Fluminense. Aos 17 minutos, Levir tirou o centroavante Henrique Dourado e promoveu a estreia de Danilinho, formando um quarteto ofensivo de boa mobilidade com Scarpa, Wellington e Marcos Junior. Wellington deu números finais à partida com um verdadeiro golaço por cobertura. 3 a 0. Um Fluminense em nada encantador, porém eficiente e sólido defensivamente. Três pontos merecidos.
Sobre a defesa, vale ressaltar: nossos números defensivos no Brasileirão são bons. 16 gols sofridos em 17 jogos (menos de 1 por partida). Nos últimos 5 jogos, apenas 1 gol sofrido. Mérito não somente da dupla de zaga, que tem se saído bem, mas também de toda a equipe, que apesar de receber muitas críticas (algumas delas justas), tem mostrado uma boa disciplina defensiva na maioria dos jogos.
Os problemas do Fluminense têm se concentrado na parte ofensiva. Finalizamos pouco na maioria dos jogos, e quando conseguimos finalizar, por vezes perdemos chances claras que já nos custaram pontos cruciais. Contudo, é preciso elogiar Gustavo Scarpa, que teve, de fato, algumas partidas abaixo da média, mas que é, sem dúvida, o principal jogador da equipe em 2016. Com 5 assistências para gols, é um dos líderes do campeonato no quesito, além de liderar absoluto em assistências para finalizações – são 43 até aqui (números do site Footstats). Todo jogador pode ser criticado, mas acho injusto minimizar a importância do nosso camisa 40, que, em meio à dificuldade que temos tido na produção ofensiva, é, de longe, o jogador mais criativo do time.
Queria ressaltar mais uma vez o quão bacana é essa relação time-torcida em Edson Passos. Não só pela presença da torcida, que não teve dificuldade para encher o estádio nos dois jogos lá, mas pela participação da mesma, que tem incentivado muito o time e feito de Edson Passos um alçapão tricolor, a nossa verdadeira casa, em meio a um 2016 tão atribulado.
Lamento apenas que tenhamos levado 15 rodadas para estrear no estádio. Para o torcedor de arquibancada, o primeiro semestre longe do time foi uma verdadeira tortura. Além disso, o fator casa tem claramente motivado os jogadores, que foram reflexo da energia e eletricidade transmitidas pela torcida contra Cruzeiro e Ponte Preta. Ser um time itinerante por seis meses foi ruim para o torcedor e eu diria até para o próprio rendimento do time. Sem falar do cansaço decorrente das inúmeras viagens. Uma pena a lentidão de todo o processo de negociação e reforma do estádio. Perdemos muito tempo.
Queria finalizar tecendo elogios a Wellington, que teve um início brilhante em sua volta ao Fluminense. Entrou no intervalo nos dois últimos jogos e se saiu muito bem. Mostrou habilidade, inteligência e muita vontade de contribuir. É extremamente prematuro se empolgar demais com o jogador, mas até aqui, gostei muito do que vi. Sinceramente, não sabia o que esperar do atacante, que sem dúvida tem muito talento, mas teve passagem apagadíssima pelo futebol europeu. Mas torço para que ele siga excedendo minhas expectativas e se torne muito importante para o time.

*Daniel Souza é tricolor fanático e estudante de economia nas horas vagas. Twitter:@DanielFFC07

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Imagem: Mailson Santana / Fluminense FC
O Campeonato Brasileiro de 2016 acaba de começar para o Fluminense. Foi essa a sensação dos quase 10 mil torcedores presentes em Edson Passos após o apito final de Wilton Pereira Sampaio. À exceção da primeira rodada - de boa atuação aliada ao resultado contra o lanterna América - e da vitória no Fla-Flu, o Brasileirão despertava profundo tédio no tricolor. Mas a comunhão perfeita entre time e torcida finalmente apareceu e pode ser o principal ingrediente para uma receita de sucesso ao longo dos próximos meses.

A força vinda das arquibancadas foi o combustível para a equipe de Levir Culpi apresentar seus melhores minutos no campeonato até aqui, em um primeiro tempo que lembrou a fase inicial do treinador no clube. É necessário, porém, ressalvar que o Cruzeiro, além de viver péssimo momento, não contou com seu melhor jogador, Arrascaeta, e estreou um novo trio de ataque. Portanto, todo cuidado é pouco ao se empolgar diante de uma bela atuação contra um time nitidamente esfacelado.

Longe, no entanto, de não poder tirar (muitas) coisas positivas do confronto em Mesquita. Muita intensidade, marcação pressão, defesa aplicada, volantes extremamente participativos, pontas voluntariosos - Samuel foi fantástico na recomposição - e um Marcos Jr. em seu melhor, flutuando atrás do atacante. Tudo foi possível porque Levir constatou o básico: Douglas e Cícero devem jogar juntos na primeira linha de meio-campo; Osvaldo e Magno Alves não podem ser titulares. Os volantes, em especial, deram um show à parte. Cícero demonstrou muito vigor no combate e foi um verdadeiro maestro com a bola no pé, regendo o jogo desde trás. Douglas foi um autêntico box-to-box, com precisão nos desarmes, bom passe e chegada ao ataque.

Na etapa final, o time se fechou na defesa e passou a explorar os contra-ataques. Os primeiros minutos renderam alguns sustos durante a pressão cruzeirense, mas a zaga soube suportar. A partir dos 10 minutos, as ações ofensivas do Fluminense atenderam pelo nome de Maranhão. Ou Francinilson, para os mais íntimos. Contra o Vitória, no Barradão, o camisa 39 já havia mostrado suas qualidades, e subiu mais um degrau no conceito de treinador e torcida após as arrancadas fulminantes que causaram pane no lado esquerdo da defesa mineira. Os mais entusiasmados bradavam: “Maranhão é seleção!”.

Sobre Richarlison, mantém evolução gradativa e natural. Participação decisiva no primeiro gol ao sofrer a falta que originou o tento e movimentação constante somada a dribles que levaram desconforto ao Cruzeiro. Uma tremenda bobagem a campanha que alguns fazem contra o menino. Tudo por conta de jogos em que ele entrou “no fogo”, diante de placares adversos e defesas fechadas. Somente uma sequência decente entre os titulares pode dar a confiança necessária para o jovem de 19 anos explorar o seu enorme potencial e brilhar na equipe.

A eficiência de Marcos Jr. na função que realiza atrás do atacante abriu espaço para uma importante discussão: precisamos mesmo, com tanta urgência, da entidade mística do camisa 10 clássico? Como disse anteriormente, é complicado tirar conclusões a partir de uma vitória contra um adversário combalido, mas a melhor fase do Fluminense em 2015 foi com o camisa 35 na posição em que atuou contra o Cruzeiro. Ademais, o futebol moderno demanda uma construção de jogadas a partir dos volantes, e Douglas e Cícero mostram-se muito capazes de realizá-la. Caso a diretoria tenha a oportunidade de trazer um meia top de linha, ótimo. Se não conseguir, temos opções de sobra para montar um time competitivo sem essa figura que ronda o imaginário do torcedor brasileiro. O próprio Scarpa pode ocupar essa faixa do campo.

Motivado pelas novidades positivas, a tabela reserva uma chance de arrancada. Na próxima rodada, o Atlético-PR, na Arena da Baixada. Parada duríssima se levarmos em conta que o Rubro-Negro está em quinto e ainda não perdeu em casa no campeonato. Porém, resultado alcançável se nos ampararmos no histórico recente. A última derrota tricolor na Arena aconteceu em 2005. Desde então, são 5 vitórias e 3 empates. No período, o único revés tricolor contra o Furacão em território paranaense ocorreu em 2009, no Estádio do Café. Trazer um empate, dependendo das circunstâncias, estará de bom tamanho, pois os confrontos seguintes serão contra Ponte Preta e Figueirense no caldeirão de Edson Passos. É hora de embalar.
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Imagem: Nelson Perez / Fluminense FC
Já passamos de um terço do Brasileirão. Em 14 rodadas, o Fluminense acumula 18 pontos e soma apenas 4 vitórias, em posição quase fixa no meio da tabela. Até aqui, nenhuma grande sequência negativa, porém a equipe sequer atingiu duas vitórias consecutivas no certame. Números que escancaram a insipidez atual de um time muito acostumado a empatar e pouquíssimo acostumado a marcar gols. Contra o Vitória, no Barradão, o terceiro 0 a 0 na competição. Mas uma luz surge no fim do túnel e ela vem de Edson Passos.

Busca por reforços reais à parte, chegamos ao momento em que o apoio do torcedor será fundamental para alçar o clube a um novo patamar dentro do Campeonato Brasileiro. Enfim disponível para jogos, o Giulite Coutinho pode ser importante já no curto prazo, mais especificamente nas próximas seis rodadas. Dessas seis partidas, quatro serão em casa, contra Cruzeiro, Ponte Preta, Figueirense e América-MG. Confrontos extremamente ganháveis que podem dar confiança e novos rumos a um time que tem suas limitações, mas peca muito pelo nervosismo e pela pressão existentes.

A atuação no Barradão passou longe de empolgar. No entanto, deu sinais de evolução em alguns aspectos. Cavalieri – bastante inseguro em 2016 – voltou a fazer defesas com as quais nos acostumamos em seus cinco anos de Fluminense. A recuperação do goleiro é um dos pilares para esse time voltar a funcionar bem. No outro extremo do campo, apesar do gol perdido, Maranhão foi o melhor jogador de linha, com muita velocidade e dribles que causaram problemas à defesa baiana. Quem também deixou boa impressão foi Samuel, que atuou pelo lado esquerdo e mostrou merecer mais minutos durante as partidas. O atacante sofreu pênalti claríssimo não assinalado pelo árbitro.

A defesa, por sua vez, passou por alguns sustos na bola aérea devido à ausência de Gum, dominante no quesito. Porém, a atuação segura de Renato Chaves, mesmo após três meses sem entrar em campo, prova que o elenco está bem servido de zagueiros, a despeito do equivocado empréstimo de Marlon. O sistema defensivo, como um todo, carece de pequenos ajustes caso a formação com Douglas e Cícero de volantes seja efetivada (esperamos que seja). E William Matheus, embora não seja nenhum Marcelo, aparenta estar bem longe de ser um Giovanni.

Para o próximo jogo, a lógica aponta para um 11 inicial com presença obrigatória de Marcos Júnior. O camisa 35 voltou de lesão, entrou bem no segundo tempo e não deve, em hipótese alguma, ser reserva de Osvaldo. Junto a Dudu e Maranhão, pode formar uma linha veloz e com troca constante de posições para confundir a defesa adversária. No comando do ataque, caso Henrique Ceifador não reúna condições para jogar 90 minutos, gostaria de ver Samuel, mas não sei se Levir o enxerga como um centroavante. Mais importante do que escolha de formação e jogadores é o tricolor cumprir com seu dever cívico. Vá ao estádio e seja a diferença que o Fluminense precisa para encontrar o caminho das vitórias em 2016.
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Imagem: Mailson Santana / Fluminense FC

Mais uma rodada se passou e fomos premiados com outra partida melancólica do Fluminense. E não me refiro apenas ao 0 a 0 em si, no qual o time até teve boas chances de sair com a vitória, mas esbarrou no velho problema das finalizações e na ótima atuação de Wilson. A análise é do conjunto de fatores que leva um grande clube ao ridículo número de 917 pagantes em um jogo de Série A do Brasileirão. Ignorar ou relativizar esse choque de realidade é aceitar a "botafoguização" tricolor. 


A diretoria é uma das agentes do processo. E, em ano de eleição, vale abrir parêntese para pontuar que esse comentário não tem nenhum cunho político. Fecha parêntese. Sabia-se desde o começo do ano que, salvo acontecimento fora da curva, os públicos em Volta Redonda tendiam a ser medíocres pelo resto da temporada. A escolha foi por reformar o Giulite Coutinho e exercer os mandos de campo no estádio do America. Com conclusão de obras prevista para meados de junho, já chegamos a julho e a utilização do local segue em compasso de espera. O resultado é o modesto aproveitamento de 50% nos ditos jogos em casa.

Mas a própria torcida também tem culpa no cartório. É muito fácil apontar o dedo para todos os defeitos e não olhar para o próprio umbigo. É muito fácil cantar "Há tantos anos juntos na vitória ou na derrota" e bradar aos quatro ventos "Nas boas te apoio, nas más te amo" para, no primeiro obstáculo, deixar esses mantras apenas na teoria. É muito fácil cobrar raça e total determinação dos jogadores - por mais que não falte - sem fazer o mínimo sacrifício para ajudar o Fluminense. Não dá para observar o momento atual e simplesmente dar de ombros para o descaso mútuo que toma conta de Laranjeiras. 

Evidente que a ausência do Maracanã contribui decisivamente nas médias de comparecimento cada vez mais baixas, mas não é de hoje que a torcida deixa a desejar no quesito. Desde a reabertura do Maracanã, o estádio esteve lotado de tricolores apenas contra o Vitória, em 2014, e contra o Vasco, em 2015. E as circunstâncias eram mais do que especiais: no primeiro, houve promoção nos ingressos e o time liderava o campeonato; no segundo, havia a esperada apresentação de Ronaldinho Gaúcho e uma vitória colocaria a equipe em primeiro lugar.

Muito estranho, também, o abandono do torcedor local de Volta Redonda. Não faz tanto tempo que o Raulino era tido como amuleto tricolor. O estádio nem sempre estava cheio, porém era raro ver menos de cinco mil presentes em torneios de grande importância, o que configurava para o Fluminense uma vantagem, quando lá jogava, contra qualquer time. Jogos épicos contra Atlético-GO e Santos tiveram a vital participação do 12º jogador. Esse cenário não existe mais.  

Traçado o triste panorama de abandono e voltando às quatro linhas, não me parece correto eximir Levir Culpi das críticas. O elenco não é dos melhores, mas está longe, muito longe, de ser tão ruim como dizem. O treinador pode e deve melhorar o desempenho do time que tem em mãos. Tirar Dudu no começo do segundo tempo contra o Coritiba foi uma decisão pouco inteligente, para dizer o mínimo. O meia havia finalizado com perigo e criado boas oportunidades quando esteve em campo. Sem alguém para dialogar, Scarpa ficou perdido.

Outra opção extremamente contestável é manter Magno Alves entre os titulares por diversas partidas seguidas. Já escrevi neste blog que o atacante, mesmo aos 40 anos, ainda pode ser bem útil ao elenco. E para por aí. O veterano não apresenta mais condições para ser fixo no 11 inicial de uma equipe de primeira divisão. Com a chegada de Henrique Ceifador, deve-se amenizar essa situação. Outra problemática que parece estar com os dias contados é a de Cícero como meia avançado. A tão pedida formação com o camisa 7 e Douglas na dupla de volantes está próxima de ser concretizada. Na direção certa e com tempo para trabalhar, Levir precisa conduzir o Fluminense e sua torcida a dias melhores.
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Imagem: Nelson Perez / Fluminense FC

Qualquer análise tática ou técnica torna-se dispensável diante de um Fla-Flu como o que vivemos ontem. O Fluminense vinha de duas dolorosas derrotas para Sport e Santos. O rival estava confiante, ao melhor estilo “deixou chegar”, após ganhar fora de casa e ingressar no G-4. No primeiro tempo, o Flu não viu a cor da bola, e só o imponderável é capaz de explicar o marcador zerado após 45 minutos de domínio – ora mais intenso, ora menos – rubro-negro.

Todo esse conjunto de circunstâncias negativas apontava para nossa terceira derrota consecutiva e para mais uma vitória deles, que os deixaria bem próximos da liderança. Mas, no sábado, completaram-se 21 anos da data que muito nos ensinou a respeito de favoritismo e expectativas em um Fla-Flu. Desde aquele fatídico 25 de junho de 1995, o coirmão da Gávea sabe que algo dará errado quando eles entram em um clássico com todo o favoritismo do mundo. E é disso que a gente gosta.

Eu ainda voltava de viagem e escutava o jogo pelas dramáticas ondas do rádio nos primeiros minutos do clássico. Não foi fácil. Simplesmente não ouvia uma única ação ofensiva do Fluminense. Quando a bola saía em tiro de meta para Cavalieri e abria-se espaço para algum comentário ou anúncio, o Flamengo já estava novamente com a bola no retorno para o narrador. E no pré-jogo? Perguntado sobre Guerrero, um dos "imparciais" comentaristas disse: "Tomara que faça gol". Assim mesmo, com essas palavras, escancarado, sem tirar de contexto. Mais um fator que me deixou com sangue nos olhos para a partida.

Poderia, agora, ponderar sobre a duvidosa qualidade de muitos jogadores do atual elenco, sobre o péssimo desempenho na etapa inicial, mas tudo isso é irrelevante se comparado à mágica de bater no filho bastardo com requintes de crueldade. Como traduzir em palavras a emoção sentida após Richarlison driblar o goleiro, colocar para dentro e ir às mais sinceras lágrimas na comemoração? Como teorizar mais uma performance monstruosa de Douglas? Como descrever a enorme atuação de Gum, longe de ter sido diminuída pelo gol do peruano?  E como explicar a vocação para a eternidade de quem é protagonista desde 40 minutos antes do nada?

A racionalidade que “é normal” deste blog volta ao ar na próxima semana. Seria desonestidade intelectual expor justificativas racionais para algo que vai muito além da simplicidade do léxico. Todos nós teríamos um desgosto profundo. 
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