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| Imagem: Nelson Perez / Fluminense FC |
Pegue qualquer time da parte
de cima da tabela – que ainda sonhe com coisas grandes no Brasileirão – e coloque
para enfrentar, em casa, um adversário frágil, limitado, que trava intensa luta contra o
rebaixamento desde o início do campeonato. Em 99% dos casos, espera-se uma
vitória tranquila da equipe superior.
E as expectativas geralmente
são confirmadas. Aquele 2 a 0 sem sustos, que representa a superioridade e o
domínio vistos em campo. Mas o Fluminense de Levir não é qualquer um.
O torcedor tem a certeza, desde antes da partida, de que não será fácil. Caso venha o resultado positivo, vai ser no sufoco, no detalhe, por uma diferença mínima. E é prejudicial ao clube que isso seja justificado pela lógica do “Se não é sofrido, não é Fluminense”.
Deveria ser obrigação
controlar as ações contra um adversário fraquíssimo, ainda mais em se tratando
de um jogo dentro de casa. Mesmo que os três pontos viessem, o sufoco sofrido
no 2º tempo, por si só, representa a derrota de um treinador ultrapassado, que
não almeja mais nada no futebol.
Prestes a completar oito
meses no comando da equipe, Levir apresentou um interessante modelo de jogo
contra as potências do Campeonato Carioca e parou por aí, salvo raríssimas
exceções no Brasileirão e na Copa do Brasil. Um time ajustado coletivamente na
defesa – que peca por erros individuais – e que não apresenta nenhum,
absolutamente nenhum, padrão de jogo ofensivo.
Coitado de Gustavo Scarpa,
que se vê obrigado a tomar, quase sozinho, as rédeas da criação no terço final,
pois o treinador é incapaz de pôr em prática qualquer ideia relacionada a esse
aspecto.
A oscilação normal para quem
enfrenta essa situação e ainda é muito jovem torna-se prato cheio para opiniões
superficiais. “Tá com a cabeça na Europa”, “jogador de rede social”, dizem
alguns. Tudo para isentar de culpas o técnico medalhão tão solicitado quando
lincharam uma ótima aposta de longo prazo por conta de um mês de temporada.
O argumento de que o elenco
é fraco – não é – perde qualquer força ao olhar rapidamente para a
classificação do campeonato. Ou alguém, em sã consciência, acredita que o
Botafogo é recheado de craques e possui jogadores superiores aos que temos?
Em 2016, com ideias tão
avançadas de futebol sendo dissipadas aos quatro cantos, não faltam exemplos de
comandantes que extraem o máximo de seus atletas, independente do nível, e
formam equipes competitivas, capazes de fazer frente a qualquer adversário e dominar
os que ficaram para trás.
Todo time tem seus dias
ruins durante o ano. O problema é quando se torna regra e não exceção. A
sequência era ótima para o Fluminense deslanchar e se aproximar de uma vaga
para a Libertadores.
Como resultados, o torcedor recebeu
uma merecida derrota em casa para o pior São Paulo dos últimos anos, um empate
com um a mais diante de um medíocre Coritiba e outro tropeço em casa contra um
dos mais fracos do Brasileirão. Sintomático.
As chances agora são
meramente matemáticas. Caso houvesse diálogo entre as chapas concorrentes, era
o momento para já decidirem o melhor para o futebol do clube em 2017. O nome de
Roger Machado, discutido nos bastidores, é o que mais agrada entre as opções do
mercado.
Mas não adianta colocar no
comando um treinador promissor, que demande paciência com os resultados a curto
e médio prazo, e já pedir sua cabeça exposta em praça pública no primeiro
momento de instabilidade. Porque aí se repetirá o ciclo do resultadismo visto
em 2016 e em diversos outros anos, que parece fadado à eternidade no
Fluminense.
Como esse cenário é utópico,
a decisão mais racional para agora é encerrar o vínculo com Levir e deixar que
Marcão assuma o grupo até o fim da temporada. Para 2017, independente do
candidato eleito, esperamos uma gestão que acompanhe a modernidade das
instalações do CT na hora de administrar o futebol.
Campeonato Brasileiro 2016 - Colunas - FluLink - Terceiro Tempo Tricolor
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| Imagem: Mailson Santana / Fluminense FC |
Segunda rodada do
Brasileirão: após vitória na estreia, o Fluminense batia o Santa Cruz
até Jailson Freitas inventar pênalti em Grafite. Quinta rodada: depois de
ganhar o Clássico Vovô, o time desperdiçou boas chances no Independência e
ficou apenas no empate diante de um combalido Atlético, ainda na parte de baixo
da tabela. Décima nona rodada: vindo de goleada sobre a Ponte em Edson Passos,
um Inter em pedaços no Beira-Rio era o adversário perfeito para embalar. Mais
um tropeço.
Dentre outras, essas foram as principais
oportunidades de emendar duas vitórias consecutivas desperdiçadas pela
equipe de Levir Culpi na competição. Faltava uma sequência de resultados capaz
de nos fazer acreditar em coisas grandes no Brasileirão. Nesse aspecto, a
apertada vitória contra o Santa Cruz por 1 a 0, no Arruda, é animadora. A
atuação passou longe de encher os olhos, mas, em um campeonato tão equilibrado,
é fundamental conquistar o resultado quando se joga “mal”.
A importância de vitórias
consecutivas vai além dos pontos somados na classificação. Uma progressão de
êxitos revigora o estado anímico e enche o elenco de confiança, fator chave
para qualquer sucesso no futebol. De nada adianta possuir bons jogadores, um
modelo de jogo definido e um técnico com tempo de trabalho se o grupo não
acredita na sua capacidade e não consegue vislumbrar voos mais altos. A
inconstância destrói até projetos de grande potencial.
Para voltar ao exemplo de
2011, citado por aqui na última coluna, foram quatro vitórias seguidas na
virada de turno. Um time irregular, de meio de tabela e que não inspirava
nenhuma confiança transformou-se em um real postulante ao título. Sonhar com o
penta talvez seja exagerado à essa altura, porém está longe de ser inviável uma
disputa por vaga na Libertadores. Todos os integrantes do bolo de cima oscilam e, com isso, abrem brechas para clubes da zona intermediária. Com um
jogo a menos, a distância virtual do Fluminense para o G4 pode deixar de
existir dentro de uma ou duas rodadas.
No entanto, será
necessário jogar mais para bater o líder Palmeiras, no próximo domingo, no Mané
Garrincha. E o próprio Levir reconhece. Os seis pontos contra América e Santa
Cruz devem ser, sim, comemorados, independente do nível das atuações contra os
dois últimos colocados. Há de se celebrar, também, que os dois resultados foram
conquistados com gols de Henrique Dourado. O atacante apresenta evolução gradativa
e já é um pilar do setor ofensivo, como esperado após sua contratação.
O ponto negativo fica por
conta de mais uma atuação abaixo da crítica de Edson. Seu poder de marcação não
compensa diante dos muitos erros que comete, comprometendo a saída de
bola e pondo em risco a organização da melhor defesa do campeonato (!). Até
mesmo Pierre, tão criticado, em especial pela recente renovação de contrato, entrou
e foi mais eficiente que o camisa 8. Com a chegada de Orejuela, não vejo espaço
para nenhum dos dois no elenco e espero que pelo menos um deles seja negociado.
A lamentar que o embate
com o Palmeiras seja disputado em Brasília, onde o Fluminense nunca se sente em
casa e raramente se dá bem. Fosse em Edson Passos e os ingressos rapidamente se
esgotariam para o que já é o jogo mais importante do campeonato para o
Tricolor, até aqui. Com a semana livre para treinos, será essencial preparar um
time que produza mais do que vem produzindo em aspectos ofensivos, pois apenas
solidez defensiva pode não ser suficiente contra o líder do Brasileirão.
Campeonato Brasileiro 2016 - Colunas - FluLink - Terceiro Tempo Tricolor
Todo tricolor que conhece
mais a fundo o time pelo qual torce já esperava um tropeço contra um Inter em
frangalhos, há dez partidas sem conhecer uma vitória (oito derrotas). Mas não
precisava ser com requintes de crueldade.
O
Fluminense iniciou disposto a matar o jogo ainda no começo e logo abriu o
placar no golaço de Scarpa aos dois minutos. Não recuou e seguiu com o controle
da partida, comandado por um Scarpa dominante na intermediária ofensiva e por
Douglas e Cícero cada vez mais donos do meio-campo.
Do outro
lado, um bando de jogadores que sequer demonstrava resquícios de um esquema
tático ou de um plano ofensivo de jogadas. Uma vez com a bola no terço final,
os colorados arriscavam chutes de qualquer jeito, seja por falta de alternativa
melhor ou pelo desespero de atletas em uma situação cada vez mais crítica, na
qual sentem a necessidade de resolver todos os problemas em um único lance.
Muito semelhante a uma certa seleção verde e amarela.
E foi na
base da tentativa de ser herói que Seijas, primeiro, obrigou Cavalieri a fazer
grande defesa e, depois, empatou no minuto derradeiro da etapa inicial. O gol
do venezuelano foi logo depois de uma (in)decisão extremamente infeliz de
William Matheus. O Fluminense tinha flagrante superioridade numérica em um
contra-ataque capaz de matar o jogo, mas o lateral prendeu a bola até ser
desarmado e o castigo veio a cavalo. Minha reação a essa sequência de
acontecimentos foi impublicável.
Quando o
Flu ainda vencia por 1 a 0, Gum marcou de cabeça e viu seu tento ser anulado
após a arbitragem alegar participação de Cícero na jogada. Considero a marcação
no máximo questionável, não vi como um erro determinante para o resultado.
Pode ter
passado despercebido para muitos, porém a participação de Henrique Dourado me
agradou. Não se escondeu do jogo e realizou de maneira efetiva o trabalho de
pivô que dele se espera, prestando auxílio à linha de meias. A não ser por uma
questão física não divulgada, não houve justificativa plausível para a troca
por Samuel no intervalo.
Diferente
da correta substituição de um errático e nervoso Marcos Jr. por Danilinho, que
entrou bem e contribuiu com uma assistência para o segundo gol de Scarpa,
quando o equilíbrio era a tônica da partida. Vale destacar, também, a arrancada
de Wellington na origem da jogada. A cria de Xerém impressiona por sua
velocidade infernal aliada à agilidade na tomada inteligente de decisões. Com
apenas três jogos, já é nítida a importância do camisa 11 para o time.
O segundo
gol colorado, já na reta final, é daqueles que fica passando na cabeça por um
bom tempo, tamanha a bobeada da defesa com a bola "viva" na grande
área. Assim como o gol, ficará como triste memória o tropeço diante de uma
equipe que apresenta o pior futebol do campeonato nas últimas rodadas – Falcão
foi demitido após cinco partidas. Retrato de um Fluminense que não
consegue decolar no Brasileirão, incapaz até mesmo de conseguir duas vitórias
consecutivas.
Para os
mais supersticiosos, o Tricolor encerrou o primeiro turno de 2011 com os mesmos
25 pontos que tem, com 18 jogos, hoje. Na ocasião, o clube ocupava a 11ª
colocação, uma abaixo da atual, e teve apenas um empate na primeira metade do
certame nacional, bem menos que os sete deste ano. O segundo turno foi um show
à parte de Deco, Fred e cia coroado com o terceiro lugar e a vaga direta para a
Libertadores.
Não quero
comparar a qualidade técnica dos dois elencos, mas serve de combustível para
sonharmos com uma sequência mais vitoriosa no restante de 2016. Será muito
difícil alcançar a parte de cima da tabela, porém é fundamental definir um
time, manter um padrão de jogo e chegar na ponta dos cascos para a Copa do
Brasil, na qual temos reais chances.
Na
próxima rodada, um América em ascensão, que se encontrou sob o comando de
Enderson Moreira. O novo treinador já segurou um 0 a 0 com o Grêmio e venceu o
Santos, dois dos postulantes ao título. Extrema dificuldade pela frente em
Cariacica, onde espero ver o estádio cheio de tricolores para empurrar o
Fluminense rumo a novas perspectivas no segundo turno.
Campeonato Brasileiro 2016 - Colunas - FluLink - Terceiro Tempo Tricolor
O Fluminense conseguiu um resultado importantíssimo em sua caminhada no Campeonato Brasileiro. Venceu a Ponte Preta for 3 a 0, com mais uma ótima participação da torcida tricolor, que parece ter comprado a ideia de jogar em Edson Passos. Tanto ontem quanto diante do Cruzeiro, abraçou o time e criou uma atmosfera hostil ao adversário. Depois de seis meses jogando em campos praticamente neutros, é bom demais jogar em casa.
Aos que não viram o jogo,o placar sugere uma partida fácil e
sem sustos, porém, não foi isso que aconteceu. O Fluminense, ao contrário de
outros jogos em que perdeu dúzias de gols, dessa vez teve apenas cinco
finalizações em toda a partida, das quais três resultaram em gol. Para que se
tenha uma ideia, a Ponte finalizou quinze vezes (mas com péssima pontaria,
ameaçou pouco – apenas três dessas finalizações foram na direção do gol). Fomos
muito eficientes, o que compensou alguns jogos em que pecamos nas finalizações
e definições de jogadas.
Não considero que tenha sido uma grande atuação. No primeiro
tempo, o Tricolor pouco produziu além do gol – em cobrança de falta, Scarpa
cruzou e Cícero, um pouco impedido, testou para o gol. A Ponte chegou a esboçar
uma pressão nos minutos finais da primeira etapa, mas não definiu bem as
jogadas e ofereceu pouco perigo real ao nosso time.
Assim como diante do Ypiranga, Wellington entrou no
intervalo e mostrou serviço. Já com 2 minutos, tabelou com Marcos Junior e por
pouco não conseguiu passe certeiro para Henrique Dourado finalizar. Ainda nos
primeiros minutos, mais uma assistência de Scarpa para gol de cabeça de Cícero.
A partir desse momento, o jogo foi administrado pelo
Fluminense. Aos 17 minutos, Levir tirou o centroavante Henrique Dourado e
promoveu a estreia de Danilinho, formando um quarteto ofensivo de boa
mobilidade com Scarpa, Wellington e Marcos Junior. Wellington deu números
finais à partida com um verdadeiro golaço por cobertura. 3 a 0. Um Fluminense
em nada encantador, porém eficiente e sólido defensivamente. Três pontos
merecidos.
Sobre a defesa, vale ressaltar: nossos números defensivos no
Brasileirão são bons. 16 gols sofridos em 17 jogos (menos de 1 por partida).
Nos últimos 5 jogos, apenas 1 gol sofrido. Mérito não somente da dupla de zaga,
que tem se saído bem, mas também de toda a equipe, que apesar de receber muitas
críticas (algumas delas justas), tem mostrado uma boa disciplina defensiva na maioria dos jogos.
Os problemas do Fluminense têm se concentrado na parte
ofensiva. Finalizamos pouco na maioria dos jogos, e quando conseguimos
finalizar, por vezes perdemos chances claras que já nos custaram pontos
cruciais. Contudo, é preciso elogiar Gustavo Scarpa, que teve, de fato, algumas
partidas abaixo da média, mas que é, sem dúvida, o principal jogador da equipe
em 2016. Com 5 assistências para gols, é um dos líderes do campeonato no
quesito, além de liderar absoluto em assistências para finalizações – são 43
até aqui (números do site Footstats). Todo jogador pode ser criticado, mas acho
injusto minimizar a importância do nosso camisa 40, que, em meio à dificuldade
que temos tido na produção ofensiva, é, de longe, o jogador mais criativo do
time.
Queria ressaltar mais uma vez o quão bacana é essa relação
time-torcida em Edson Passos. Não só pela presença da torcida, que não teve
dificuldade para encher o estádio nos dois jogos lá, mas pela participação da
mesma, que tem incentivado muito o time e feito de Edson Passos um alçapão
tricolor, a nossa verdadeira casa, em meio a um 2016 tão atribulado.
Lamento apenas que tenhamos levado 15 rodadas para estrear
no estádio. Para o torcedor de arquibancada, o primeiro semestre longe do time
foi uma verdadeira tortura. Além disso, o fator casa tem claramente motivado os
jogadores, que foram reflexo da energia e eletricidade transmitidas pela
torcida contra Cruzeiro e Ponte Preta. Ser um time itinerante por seis meses
foi ruim para o torcedor e eu diria até para o próprio rendimento do time. Sem
falar do cansaço decorrente das inúmeras viagens. Uma pena a lentidão de todo o
processo de negociação e reforma do estádio. Perdemos muito tempo.
Queria finalizar tecendo elogios a Wellington, que teve um
início brilhante em sua volta ao Fluminense. Entrou no intervalo nos dois
últimos jogos e se saiu muito bem. Mostrou habilidade, inteligência e muita
vontade de contribuir. É extremamente prematuro se empolgar demais com o
jogador, mas até aqui, gostei muito do que vi. Sinceramente, não sabia o que
esperar do atacante, que sem dúvida tem muito talento, mas teve passagem apagadíssima
pelo futebol europeu. Mas torço para que ele siga excedendo minhas expectativas
e se torne muito importante para o time.
*Daniel Souza é tricolor fanático e estudante de economia nas horas vagas. Twitter:@DanielFFC07
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| Imagem: Mailson Santana / Fluminense FC |
O Campeonato Brasileiro de
2016 acaba de começar para o Fluminense. Foi essa a sensação dos quase 10 mil
torcedores presentes em Edson Passos após o apito final de Wilton Pereira Sampaio. À exceção da primeira rodada - de boa atuação aliada ao resultado
contra o lanterna América - e da vitória no Fla-Flu, o Brasileirão despertava
profundo tédio no tricolor. Mas a comunhão perfeita entre time e torcida
finalmente apareceu e pode ser o principal ingrediente para uma receita de
sucesso ao longo dos próximos meses.
A força vinda das
arquibancadas foi o combustível para a equipe de Levir Culpi apresentar seus
melhores minutos no campeonato até aqui, em um primeiro tempo que lembrou a
fase inicial do treinador no clube. É necessário, porém, ressalvar que o
Cruzeiro, além de viver péssimo momento, não contou com seu melhor jogador,
Arrascaeta, e estreou um novo trio de ataque. Portanto, todo cuidado é pouco ao
se empolgar diante de uma bela atuação contra um time nitidamente esfacelado.
Longe, no entanto, de não
poder tirar (muitas) coisas positivas do confronto em Mesquita. Muita intensidade,
marcação pressão, defesa aplicada, volantes extremamente participativos, pontas
voluntariosos - Samuel foi fantástico na recomposição - e um Marcos Jr. em seu
melhor, flutuando atrás do atacante. Tudo foi possível porque Levir constatou o
básico: Douglas e Cícero devem jogar juntos na primeira linha de meio-campo;
Osvaldo e Magno Alves não podem ser titulares. Os volantes, em especial, deram
um show à parte. Cícero demonstrou muito vigor no combate e foi um verdadeiro
maestro com a bola no pé, regendo o jogo desde trás. Douglas foi um autêntico box-to-box, com precisão nos desarmes,
bom passe e chegada ao ataque.
Na etapa final, o time se
fechou na defesa e passou a explorar os contra-ataques. Os primeiros minutos
renderam alguns sustos durante a pressão cruzeirense, mas a zaga soube
suportar. A partir dos 10 minutos, as ações ofensivas do Fluminense atenderam
pelo nome de Maranhão. Ou Francinilson, para os mais íntimos. Contra o Vitória,
no Barradão, o camisa 39 já havia mostrado suas qualidades, e subiu mais um
degrau no conceito de treinador e torcida após as arrancadas fulminantes que
causaram pane no lado esquerdo da defesa mineira. Os mais entusiasmados
bradavam: “Maranhão é seleção!”.
Sobre Richarlison, mantém evolução
gradativa e natural. Participação decisiva no primeiro gol ao sofrer a falta
que originou o tento e movimentação constante somada a dribles que levaram
desconforto ao Cruzeiro. Uma tremenda bobagem a campanha que alguns fazem contra
o menino. Tudo por conta de jogos em que ele entrou “no fogo”, diante de placares adversos e defesas fechadas. Somente uma sequência decente entre os
titulares pode dar a confiança necessária para o jovem de 19 anos explorar o seu
enorme potencial e brilhar na equipe.
A eficiência de Marcos Jr. na
função que realiza atrás do atacante abriu espaço para uma importante discussão:
precisamos mesmo, com tanta urgência, da entidade mística do camisa 10
clássico? Como disse anteriormente, é complicado tirar conclusões a partir de
uma vitória contra um adversário combalido, mas a melhor fase do Fluminense em
2015 foi com o camisa 35 na posição em que atuou contra o Cruzeiro. Ademais, o futebol moderno demanda uma construção de jogadas a partir dos volantes, e Douglas e Cícero mostram-se muito capazes de realizá-la. Caso a
diretoria tenha a oportunidade de trazer um meia top de linha, ótimo. Se não
conseguir, temos opções de sobra para montar um time competitivo sem essa
figura que ronda o imaginário do torcedor brasileiro. O próprio Scarpa pode
ocupar essa faixa do campo.
Motivado pelas novidades
positivas, a tabela reserva uma chance de arrancada. Na próxima rodada, o
Atlético-PR, na Arena da Baixada. Parada duríssima se levarmos em conta que o
Rubro-Negro está em quinto e ainda não perdeu em casa no campeonato. Porém,
resultado alcançável se nos ampararmos no histórico recente. A última derrota
tricolor na Arena aconteceu em 2005. Desde então, são 5 vitórias e 3 empates.
No período, o único revés tricolor contra o Furacão em território paranaense
ocorreu em 2009, no Estádio do Café. Trazer um empate, dependendo das circunstâncias,
estará de bom tamanho, pois os confrontos seguintes serão contra Ponte Preta e
Figueirense no caldeirão de Edson Passos. É hora de embalar.
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| Imagem: Nelson Perez / Fluminense FC |
Já passamos de um terço do Brasileirão. Em 14 rodadas, o
Fluminense acumula 18 pontos e soma apenas 4 vitórias, em posição quase fixa no
meio da tabela. Até aqui, nenhuma grande sequência negativa, porém a equipe
sequer atingiu duas vitórias consecutivas no certame. Números que escancaram a
insipidez atual de um time muito acostumado a empatar e pouquíssimo acostumado
a marcar gols. Contra o Vitória, no Barradão, o terceiro 0 a 0 na competição. Mas
uma luz surge no fim do túnel e ela vem de Edson Passos.
Busca por reforços reais à parte, chegamos ao momento em
que o apoio do torcedor será fundamental para alçar o clube a um novo patamar dentro
do Campeonato Brasileiro. Enfim disponível para jogos, o Giulite Coutinho pode
ser importante já no curto prazo, mais especificamente nas próximas seis
rodadas. Dessas seis partidas, quatro serão em casa, contra Cruzeiro, Ponte
Preta, Figueirense e América-MG. Confrontos extremamente ganháveis que podem
dar confiança e novos rumos a um time que tem suas limitações, mas peca muito
pelo nervosismo e pela pressão existentes.
A atuação no Barradão passou longe de empolgar. No
entanto, deu sinais de evolução em alguns aspectos. Cavalieri – bastante inseguro
em 2016 – voltou a fazer defesas com as quais nos acostumamos em seus cinco
anos de Fluminense. A recuperação do goleiro é um dos pilares para esse time
voltar a funcionar bem. No outro extremo do campo, apesar do gol perdido,
Maranhão foi o melhor jogador de linha, com muita velocidade e dribles que
causaram problemas à defesa baiana. Quem também deixou boa impressão foi
Samuel, que atuou pelo lado esquerdo e mostrou merecer mais minutos durante as
partidas. O atacante sofreu pênalti claríssimo não assinalado pelo árbitro.
A defesa, por sua vez, passou por alguns sustos na bola
aérea devido à ausência de Gum, dominante no quesito. Porém, a atuação segura
de Renato Chaves, mesmo após três meses sem entrar em campo, prova que o elenco
está bem servido de zagueiros, a despeito do equivocado empréstimo de Marlon. O
sistema defensivo, como um todo, carece de pequenos ajustes caso a formação com
Douglas e Cícero de volantes seja efetivada (esperamos que seja). E William
Matheus, embora não seja nenhum Marcelo, aparenta estar bem longe de ser um
Giovanni.
Para o próximo jogo, a lógica aponta para um 11 inicial
com presença obrigatória de Marcos Júnior. O camisa 35 voltou de lesão, entrou
bem no segundo tempo e não deve, em hipótese alguma, ser reserva de Osvaldo. Junto
a Dudu e Maranhão, pode formar uma linha veloz e com troca constante de
posições para confundir a defesa adversária. No comando do ataque, caso Henrique
Ceifador não reúna condições para jogar 90 minutos, gostaria de ver Samuel, mas
não sei se Levir o enxerga como um centroavante. Mais importante do que escolha
de formação e jogadores é o tricolor cumprir com seu dever cívico. Vá ao
estádio e seja a diferença que o Fluminense precisa para encontrar o caminho
das vitórias em 2016.
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| Imagem: Mailson Santana / Fluminense FC |
Mais uma rodada se passou e fomos premiados com outra partida melancólica do Fluminense. E não me refiro apenas ao 0 a 0 em si, no qual o time até teve boas chances de sair com a vitória, mas esbarrou no velho problema das finalizações e na ótima atuação de Wilson. A análise é do conjunto de fatores que leva um grande clube ao ridículo número de 917 pagantes em um jogo de Série A do Brasileirão. Ignorar ou relativizar esse choque de realidade é aceitar a "botafoguização" tricolor.
A diretoria é uma das agentes do processo. E, em ano de eleição, vale abrir parêntese para pontuar que esse comentário não tem nenhum cunho político. Fecha parêntese. Sabia-se desde o começo do ano que, salvo acontecimento fora da curva, os públicos em Volta Redonda tendiam a ser medíocres pelo resto da temporada. A escolha foi por reformar o Giulite Coutinho e exercer os mandos de campo no estádio do America. Com conclusão de obras prevista para meados de junho, já chegamos a julho e a utilização do local segue em compasso de espera. O resultado é o modesto aproveitamento de 50% nos ditos jogos em casa.
Mas a própria torcida também tem culpa no cartório. É muito fácil apontar o dedo para todos os defeitos e não olhar para o próprio umbigo. É muito fácil cantar "Há tantos anos juntos na vitória ou na derrota" e bradar aos quatro ventos "Nas boas te apoio, nas más te amo" para, no primeiro obstáculo, deixar esses mantras apenas na teoria. É muito fácil cobrar raça e total determinação dos jogadores - por mais que não falte - sem fazer o mínimo sacrifício para ajudar o Fluminense. Não dá para observar o momento atual e simplesmente dar de ombros para o descaso mútuo que toma conta de Laranjeiras.
Evidente que a
ausência do Maracanã contribui decisivamente nas médias de comparecimento cada
vez mais baixas, mas não é de hoje que a torcida deixa a desejar no quesito.
Desde a reabertura do Maracanã, o estádio esteve lotado de tricolores apenas
contra o Vitória, em 2014, e contra o Vasco, em 2015. E as circunstâncias eram
mais do que especiais: no primeiro, houve promoção nos ingressos e o time
liderava o campeonato; no segundo, havia a esperada apresentação de Ronaldinho
Gaúcho e uma vitória colocaria a equipe em primeiro lugar.
Muito estranho, também, o
abandono do torcedor local de Volta Redonda. Não faz tanto tempo que o Raulino
era tido como amuleto tricolor. O estádio nem sempre estava cheio, porém era
raro ver menos de cinco mil presentes em torneios de grande importância, o que
configurava para o Fluminense uma vantagem, quando lá jogava, contra qualquer time.
Jogos épicos contra Atlético-GO e Santos tiveram a vital participação do 12º
jogador. Esse cenário não existe mais.
Traçado o triste panorama de
abandono e voltando às quatro linhas, não me parece correto eximir Levir Culpi
das críticas. O elenco não é dos melhores, mas está longe, muito longe, de ser
tão ruim como dizem. O treinador pode e deve melhorar o desempenho do time que
tem em mãos. Tirar Dudu no começo do segundo tempo contra o Coritiba foi uma
decisão pouco inteligente, para dizer o mínimo. O meia havia finalizado com
perigo e criado boas oportunidades quando esteve em campo. Sem alguém para
dialogar, Scarpa ficou perdido.
Outra opção extremamente contestável
é manter Magno Alves entre os titulares por diversas partidas seguidas. Já
escrevi neste blog que o atacante, mesmo aos 40 anos, ainda pode ser bem útil
ao elenco. E para por aí. O veterano não apresenta mais condições para ser fixo
no 11 inicial de uma equipe de primeira divisão. Com a chegada de Henrique
Ceifador, deve-se amenizar essa situação. Outra problemática que parece estar
com os dias contados é a de Cícero como meia avançado. A tão pedida formação
com o camisa 7 e Douglas na dupla de volantes está próxima de ser concretizada.
Na direção certa e com tempo para trabalhar, Levir precisa conduzir o Fluminense e
sua torcida a dias melhores.
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| Imagem: Nelson Perez / Fluminense FC |
Qualquer análise tática ou técnica torna-se dispensável
diante de um Fla-Flu como o que vivemos ontem. O Fluminense vinha de duas
dolorosas derrotas para Sport e Santos. O rival estava confiante, ao melhor
estilo “deixou chegar”, após ganhar fora de casa e ingressar no G-4. No
primeiro tempo, o Flu não viu a cor da bola, e só o imponderável é capaz de
explicar o marcador zerado após 45 minutos de domínio – ora mais intenso, ora
menos – rubro-negro.
Todo esse conjunto de circunstâncias negativas apontava
para nossa terceira derrota consecutiva e para mais uma vitória deles, que os
deixaria bem próximos da liderança. Mas, no sábado, completaram-se 21 anos da
data que muito nos ensinou a respeito de favoritismo e expectativas em um
Fla-Flu. Desde aquele fatídico 25 de junho de 1995, o coirmão da Gávea sabe que
algo dará errado quando eles entram em um clássico com todo o favoritismo do
mundo. E é disso que a gente gosta.
Eu ainda voltava de viagem e escutava o jogo pelas
dramáticas ondas do rádio nos primeiros minutos do clássico. Não foi fácil.
Simplesmente não ouvia uma única ação ofensiva do Fluminense. Quando a bola
saía em tiro de meta para Cavalieri e abria-se espaço para algum comentário ou
anúncio, o Flamengo já estava novamente com a bola no retorno para o narrador.
E no pré-jogo? Perguntado sobre Guerrero, um dos "imparciais"
comentaristas disse: "Tomara que faça gol". Assim mesmo, com essas
palavras, escancarado, sem tirar de contexto. Mais um fator que me deixou com
sangue nos olhos para a partida.
Poderia, agora, ponderar sobre a duvidosa qualidade de
muitos jogadores do atual elenco, sobre o péssimo desempenho na etapa inicial,
mas tudo isso é irrelevante se comparado à mágica de bater no filho bastardo
com requintes de crueldade. Como traduzir em palavras a emoção sentida após Richarlison
driblar o goleiro, colocar para dentro e ir às mais sinceras lágrimas na
comemoração? Como teorizar mais uma performance monstruosa de Douglas? Como
descrever a enorme atuação de Gum, longe de ter sido diminuída pelo gol do
peruano? E como explicar a vocação para
a eternidade de quem é protagonista desde 40 minutos antes do nada?
A racionalidade que “é normal” deste blog volta ao ar na
próxima semana. Seria desonestidade intelectual expor justificativas racionais
para algo que vai muito além da simplicidade do léxico. Todos nós teríamos um desgosto
profundo.
Campeonato Brasileiro 2016 - Colunas - FluLink - Terceiro Tempo Tricolor
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