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O candidato da situação foi eleito com 2122 votos no pleito realizado neste 26 de Novembro, para o triênio 2017-2018-2019.
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| Candidato desbancou Mário Bittencourt e Celso Barros |
Em eleição realizada na sede social do clube, nas Laranjeiras, os candidatos passaram o dia no clube tentando ganhar os votos dos eleitores indecisos sobre em quem votar.
Pela manhã, Celso Barros foi o primeiro candidato a votar, seguido de Mário Bittencourt e Pedro Abad, que votaram na parte da tarde. Com tom amistoso, todos os candidatos à presidência conversaram entre si, demonstrando respeito uns aos outros. Durante a votação e com o passar das pesquisas de boca de urna, houve muitas especulações sobre uniões das chapas, mas nada aconteceu. O dia foi marcado pela presença ilustre dos ex-jogadores e ídolos Washington e Romerito, e dos ex-presidentes Francisco Horta e Roberto Horcades. Mais de 3 mil sócios compareceram a votação deste sábado, tornando a Eleição 2016 como a maior da história do clube.
A votação foi iniciada às 9h e encerrada às 18h, porém o resultado demorou para ser anunciado. A demora foi causada pela contagem dos votos, já que primeiramente são contados os votos em papel com o acompanhamento dos fiscais das chapas, aos fiscais darem o parecer positivo, os votos eletrônicos são contados. Durante a espera, os sócio-torcedores que estavam no clube aguardando, esqueceram as desavenças políticas e cantaram as músicas da torcida.
Com uma campanha baseada nas conquistas obtidas pela gestão Siemsen, Pedro Abad foi o escolhido para prosseguir com os atuais projetos nos próximos 3 anos. Com Pedro Antônio e Peter Siemsen como cabos eleitorais, Abad foi o escolhido pelos sócios que foram até as Laranjeiras votar neste sábado, batendo Mário Bittencourt (O Fluminense me Domina) que teve 1442 votos, e Celso Barros (Todos Pelo Fuminense) que teve 651, como o nome ideal para presidir o Fluminense Football Club.
Colunas - Eleição 2016 - FluLink - Fluminense
Chegou
o dia de decidir o futuro do Fluminense. Neste sábado, o eleitor tricolor
escolhe, entre Pedro Abad, Mario Bittencourt e Celso Barros, o presidente para
o triênio 2017-2019. Os sócios adimplentes poderão comparecer às Laranjeiras
das 9h às 18h. Para votar, é preciso estar munido de identidade e documento com
número do CPF incluso.
A eleição de 2016 é a primeira em que o associado do
futebol terá direito ao sufrágio, e esse foi um dos focos de Pedro Abad, da
situação. Mario Bittencourt, por sua vez, criticou severamente alguns aspectos
do atual modelo de sócio torcedor, como a impossibilidade de sócios residentes
de outros Estados votarem pela internet.
Celso Barros pautou sua plataforma de campanha nos anos
em que comandava a Unimed e destinava parte dos recursos da empresa ao
Fluminense. No período, Celso ficou conhecido pela participação na gestão do
futebol e, por muitas vezes, bater de frente com outros dirigentes para fazer
contratações que eram de seu interesse.
Em entrevista ao FluLink, Mario Bitencourt relembrou suas passagens pelo futebol do clube e questionou posturas e medidas do presidente Peter Siemsen. Destacou, também, a importância de montar um elenco competitivo em paralelo a uma boa gestão das finanças.
Em entrevista ao FluLink, Mario Bitencourt relembrou suas passagens pelo futebol do clube e questionou posturas e medidas do presidente Peter Siemsen. Destacou, também, a importância de montar um elenco competitivo em paralelo a uma boa gestão das finanças.
Em conversa com o site, Pedro Abad enalteceu a responsabilidade financeira nos
dois mandatos de Peter e alertou para a importância de se aproximar mais dos
sócios. Outro tópico abordado pelo candidato foi a necessidade do diálogo em
diversas frentes, como na relação com a Ferj.
Celso
Barros não concedeu entrevista ao FluLink, mas, no debate em que participou, fez
questão de se colocar como “oposição de verdade” e direcionar críticas às
outras duas campanhas. Nos últimos dias, o ex-mandatário da Unimed anunciou
conversas com jogadores como Thiago Neves, Carlinhos e Maicon Bolt, que passaram
pelo Fluminense em seu período como parceiro do clube.
Colunas - Eleição 2016 - FluLink - Fluminense
Por Cayo Pereira, Clayton Mello, Guilherme Bianchini e Maria Costa
O FluLink continua a
cobertura da eleição ao cargo de presidente do Fluminense. Após ouvirmos Pedro
Abad e Pedro Trengrouse, entrevistamos o candidato Mário Bittencourt.
Mário está no Fluminense
desde 1998, quando começou como estagiário. Passou três vezes pelo departamento
de futebol. Bastante conhecido por ter sido o advogado do clube no ‘Caso
Héverton’ em 2013, foi vice-presidente na gestão Peter Siemsen de maio de 2014
até fevereiro de 2016. Hoje, Mário é candidato junto com Ricardo Tenório, que
também foi vice de futebol com Peter e é um velho conhecido do torcedor
tricolor. Estádio, Šamorín e Pedro Antônio foram alguns dos assuntos abordados.
1- O
que leva o torcedor a crer que um advogado com uma experiência conturbada na
gestão do futebol possa fazer uma boa administração do clube?
Não
estou aqui desde 2015, estou desde 1998. Tive outras passagens pelo
departamento de futebol, uma delas em 2009, como gerente, com extremo sucesso,
quando o Tenório era vice-presidente de futebol e me convidou. Conseguimos um
aproveitamento de 75%, dos últimos onze jogos do campeonato vencemos sete e
empatamos quatro. Em 2011, fiquei por um período curto durante a Libertadores,
quando tínhamos 2 pontos no grupo e conseguimos nos classificar para as oitavas
de final. Em 2014, fui vice-presidente a partir de maio e o Fluminense ficou em
6º lugar no Campeonato Brasileiro. Se fosse hoje, estaríamos na Libertadores
por causa do G6. Na verdade, 2015 não foi bom porque era um ano de transição.
Todos me perguntavam em entrevistas como o Fluminense sobreviveria sem a
Unimed, o Fluminense sobreviveu. Não fez um Brasileiro bom, mas chegou à semifinal
da Copa do Brasil.
Então,
não consigo enxergar essa preocupação que as pessoas têm por um período
específico ruim quando estive à frente do departamento de futebol. Por exemplo:
o Peter, em 2013, foi eleito com quase 80% dos votos enquanto o time lutava
para não cair, e ele estava à frente do departamento de futebol. O Sandrão
(ex-vice de futebol) havia saído e o presidente acumulou as funções. O time
estava em 8º e acabou naquela situação, se livrando do rebaixamento por causa
do ‘Caso André Santos’ e do ‘Caso Héverton’. O torcedor não deve se
preocupar com isso e, sim, olhar a minha história. Estou há 18 anos no clube,
com muitos êxitos no departamento jurídico e no de futebol. Do time atual,
apenas William Matheus e Wellington não trabalharam comigo. Além de jogadores
como Fred e Diego Souza, que foram vendidos e, juntos, somam mais de vinte gols
no campeonato. Então, encaro isso como uma discussão de torcedor. Não se pode
avaliar a capacidade de um profissional com a minha história apenas por um período
curto.
2- Oferecerá
alguma função ao Pedro Antônio em sua gestão?
Em entrevista a VAVEL na
inauguração do CT, o Pedro Antônio me citou como um dos maiores doadores do CT.
Antes de lançar a candidatura nós conversamos, e caso eu seja eleito, ele sabe
que continuará sendo, se quiser, nosso vice-presidente de Projetos Especiais.
3- Mesmo
que ele (Pedro Antônio) declare abertamente apoio a outro candidato, você
mantém a postura de ceder um cargo caso vença a eleição?
Mantenho
a postura aberta, inclusive a outros candidatos. A partir do momento em que
você vence uma eleição, precisa trazer quem é importante e quem pode ajudar o
Fluminense. O Pedro Antônio é uma figura importantíssima na história do clube e
sabe que contamos com ele.
4- Você
apresentou um projeto para o estádio do Fluminense. Caso vença a eleição, quais
serão os próximos passos em relação ao tema?
Apresentamos
um projeto de estádio e de viabilidade. Já temos um documento assinado de um
terreno que também fica na Barra da Tijuca. E esse documento não é para mim ou
para o Tenório, é um documento para o Fluminense. Mesmo que a gente não vença,
vamos colocá-lo a disposição do clube. Nossa ideia é fazer um estádio para 38
mil pessoas, no modelo FIFA. Tirando as cadeiras atrás do gol para fazer uma
geral, ele passa a ser de 41 mil lugares. Obviamente, é um projeto que se adéqua
a qualquer possibilidade que o clube tenha e de um investidor para colocar isso
adiante.
5- O
candidato Pedro Abad, em entrevista ao FluLink, definiu a pouca aproximação do
clube com o sócio como uma deficiência da atual gestão. Você concorda? Além da
sua proposta pro sócio que é de fora do Rio poder votar pela internet, o que
precisa ser feito para mudar o quadro?
As
primeiras declarações dele diziam que o Marketing do Fluminense é muito bom.
Discordo e esse é um dos motivos da minha candidatura. O Fluminense tem um
desempenho muito ruim no departamento de Marketing. Não por culpa dos
profissionais que lá estão e sim pelas inúmeras mudanças dos profissionais,
coisa que aconteceu dez vezes nessa gestão, e fez o clube não ter o
desenvolvimento de um trabalho. Para deixar claro, contamos com os
profissionais que lá estão, temos apenas a vontade de mudar o modelo. A
relação com o torcedor é extremamente distante. É inaceitável que o Fluminense
tenha implementado um sócio futebol há mais de três anos e que hoje eles não
possam votar à distância na eleição. O sócio que mora no Acre, em Brasília ou
em Goiás terá enorme dificuldade para poder votar. Essa é uma das nossas lutas.
Iremos, também, implementar um novo modelo de sócio futebol, porque o modelo
atual é muito ruim. Precisamos de um modelo que fidelize o torcedor.
6- Ele
é ruim porque não fideliza o torcedor? Por que não atrai o torcedor para os
jogos? Por que acha isso?
O
modelo é ruim porque é vinculado exclusivamente ao resultado dos jogos e a ter
um estádio. Todos os outros modelos de sócio do futebol brasileiro possuem,
além da possibilidade de ir ao jogo e frequentar o estádio, uma fidelização.
Troca dos pontos que você adquire ao ser sócio por produtos, eventos de
Marketing e até mesmo ingresso para outros jogos. Comparado ao modelo do
Internacional, do Palmeiras e do São Paulo, o do Fluminense está engatinhando.
7- Qual
será o tamanho do investimento nos esportes Olímpicos em sua gestão? É possível
recuperar a tradição existente neste âmbito? Como?
Na
questão do investimento, primeiro precisamos ganhar a eleição para assumir o
clube e saber quais são os valores que o clube tem à disposição. Temos a lei do
incentivo ao esporte, especialmente para o esporte olímpico, e vamos trabalhar
nisso muito forte. Com relação a voltar a disputar os esportes de rendimento,
como são chamados, o vôlei está aí como exemplo. O clube conseguiu montar um
time no final dessa gestão e ser competitivo. Conversei com o diretor geral do
NBB e combinei com ele que, se vencermos a eleição, ele irá aumentará o tempo
das inscrições e vamos colocar um time na Liga Ouro (segunda divisão do
basquete nacional) para, a partir daí, buscar uma vaga no NBB. No início o
investimento será pequeno, não tem jeito, porque estaremos iniciando a gestão,
mas já pensando em ter uma equipe forte no basquete para 2018. Nos outros
esportes, a intenção é sentar com cada diretor de cada área e com cada atleta
para saber se vamos disputar um esporte de rendimento ou de apenas
participação. É uma questão que será avaliada.
8- O
que acha do Flu Šamorín? Pretende manter o
projeto?
O
clube deve manter. Parece que é um projeto em andamento e que o Fluminense
ainda precisa pagar um valor no próximo ano. Então, primeiro, temos que fazer a
compra e destinar a verba para isso. O projeto é interessante e pode ser estendido
para outros clubes na Europa. É uma iniciativa. Temos que sentar com os
profissionais que gerem o projeto para saber como está caminhando e evoluindo,
porque é um projeto muito interessante.
9- Você
já disse muitas vezes que não concordou com a saída de Fred, que tinha uma
relação de 7 anos com o clube e é ídolo do Fluminense. Foi você também que
efetivou a renovação dele no ano passado. Pretende trazê-lo de volta?
Todos
sabem que eu acho que a saída dele foi precipitada e extremamente mal feita. Um
atleta com a história que ele tinha no clube, maior ídolo recente, com um
contrato para encerrar a carreira aqui. O Fluminense deveria ter gerenciado
isso de uma maneira diferente. Prometer que vou trazê-lo de volta seria
leviandade da minha parte, até porque ele tem contrato com o Atlético-MG até o
fim de 2018 e acredito que receba o mesmo salário que recebia aqui. Prometer
isso seria jogar para a galera e não vou fazer isso. Mas é claro que se
ganharmos a eleição e classificarmos para a Libertadores, vamos buscar montar
um time forte para sermos campeões.
Mas se houver a
possibilidade em algum momento (de trazer Fred de volta)?
O
Fluminense precisa estar sempre com possibilidade de trazer grandes jogadores.
Qualquer um deles. Tenha jogado aqui ou não. Se tivermos a oportunidade de
trazer Fred, Conca, Thiago Neves, jogadores que já vestiram a nossa camisa, ou
jogadores que ainda não jogaram aqui, mas que tenhamos interesse e que levem o
Fluminense a disputar títulos, pode ter certeza que buscaremos.
10- Peter teve
a partir de 2014, uma aproximação com o presidente do Flamengo e essa
"parceria" aparentou dar certo até o último Fla-Flu, quando desde a
escolha do local para a partida, até a polêmica do gol anulado de Henrique,
houve diversas quedas de braço entre os clubes. Você pretende manter esta
relação próxima ou não?
O
Fluminense tem que co-habitar e co-existir com todos os seus adversários. O
futebol não se faz sozinho, você precisa da companhia dos outros clubes pra que
o futebol se desenvolva. Entretanto, isso não significa que o Fluminense deva
abrir mão de seus direitos em razão de qualquer parceria que se possa fazer com
clube A, B ou C. O que se viu nos últimos dias foi o clube em prol de uma
suposta parceria na qual, teoricamente, o Fluminense também deixou a desejar em
algum momento cumprindo um suposto acordo de cavalheiros que pudesse ter em
relação aos ingressos. O Fluminense saiu dos oitenta para oito. Dizia que não
iria dar os 50%, que mandaria o jogo na Ilha do Governador, acabou dividindo o
estádio, mandou o jogo em Volta Redonda e jogou com seu segundo uniforme. Além
de não se fazer representado naquela confusão em campo em que acabou sendo
extremamente prejudicado. Buscaremos parcerias que sejam boas para o
Fluminense. Se não for, não iremos fazer.
11- Aponte,
especificamente, um grande erro e um grande acerto da gestão Peter.
Um
grande acerto foi o equacionamento das dívidas na primeira gestão. Ela
trabalhou bastante nisso. Um grande erro foi justamente a despreocupação com as
finanças na segunda gestão, deixando uma série de coisas a pagar para o próximo
presidente, seja ele qual for. Também teve, especialmente, o uso da máquina.
Decepcionou-me muito. Não vejo com raiva, e sim com decepção, porque eu fiz
parte da candidatura dele em 2010 e o apoiei na reeleição em 2013, e todo o
discurso que ouvi sobre democracia e igualdade de condições na disputa da
eleição está sendo desfeito agora, chegando ao nível de filmarem e colocarem um
suposto projeto de um suposto terreno na FluTV, e usarem essa imagem no
Premiere no horário que é do Fluminense. Esse final de gestão é uma grande
decepção.
12- Deixe suas
considerações finais aos eleitores tricolores.
Gostaria
que os torcedores do Fluminense - não gosto de chamá-los de eleitores, porque
somos todos torcedores -, na hora do voto, pensem na história que Ricardo e eu
temos aqui no clube. Não chegamos agora. O Ricardo tem 40 anos de sócio do
Fluminense, eu tenho mais de 20 como sócio e 18 como prestador de serviços.
Comecei como estagiário, passei pelo departamento de futebol três vezes, o
Ricardo duas. Estive à frente do departamento jurídico durante muito tempo com
bastante resultado. Conhecemos bem as finanças do clube, os problemas, as
dificuldades que vamos enfrentar e temos especialmente uma história de apoio à
instituição nos momentos de dificuldade. Fomos as duas pessoas, na história
recente do clube, que aceitaram pegar os maiores desafios, em 2009 e em 2014.
Quando a Unimed começava a tirar seus investimentos, o Ricardo estava lá, e
quando a Unimed foi embora, era eu. É importante que se lembrem disso. Sempre
pegamos uma situação ruim, nos momentos de dificuldade, e agora queremos ter
uma oportunidade pegando do zero para que tenhamos 100% de chances de ser
campeão.
Colunas - Eleição 2016 - FluLink - FluLink entrevista - Fluminense
Por Cayo Pereira, Clayton Mello, Guilherme Bianchini e Maria Costa
O FluLink segue com sua cobertura da eleição presidencial de 2016 do Fluminense. Após entrevista com o candidato Pedro Abad, foi a vez de Pedro Trengrouse responder às perguntas do site.
Formado em Direito pela PUC-Rio, Trengrouse especializou-se em Direito Desportivo e passou boa parte de sua carreira no mundo do futebol, com trabalhos na FERJ e em diversos clubes da Série A . O candidato representa a chapa Verdade Tricolor. Adepto de analogias e ditados, reafirmou seu desejo de mudança em relação à atual gestão do clube e explicou como pretende implementar um novo modelo de negócios e aproximar o sócio através de plataformas digitais.
Confira na íntegra a entrevista com Pedro Trengrouse:
1. Você
já disse que seu lema é fazer o Fluminense campeão do mundo. Como pretende
alcançar esse objetivo?
É simples: vamos ganhar todos os jogos, fazendo mais gols
do que levando. Para isso, tem que querer ganhar de verdade, jogar com garra,
com paixão. Gostam muito de falar em gestão, em balanço, em números, mas se
esquecem que a nossa missão é ganhar tudo, ganhar sempre. Não tem que estar
preocupado com o balanço na hora que entrar em campo. A cabeça tem que estar só
na vitória.
E o resultado não é consequência de uma boa gestão?
Ninguém melhor do que eu pra falar de gestão. Estou nesse
ramo há 20 anos e sei da importância. Mas ela não pode ser mais importante que
a vontade de vencer em campo. O dirigente que apresenta o balanço positivo como
mais importante que a vitória em campo está errado. O Fluminense não é um
banco. A boa gestão tem que existir pra dar condições ao clube de ganhar tudo
em campo. Falta alguma coisa nessa boa gestão se a equipe não entra em campo
com a vontade de vencer. O objetivo do Fluminense é ganhar, fomos criados para
isso. Na vida encontramos uma série de percalços, mas não existe vento a favor
pra quem não sabe aonde vai. Eu sei aonde quero ir, quero ser campeão do mundo
e gostaria que todos os candidatos também quisessem.
2. O
equilíbrio financeiro do Fluminense é real ou fictício? O que precisa mudar?
O balanço do Fluminense nos últimos 13 anos mostra que o
clube gasta mais do que ganha todo ano. O prejuízo acumulado passa dos 300
milhões de reais. O modelo atual de negócios não é sustentável. O Peter equacionou
uma série de questões, sem dúvidas a imagem do Fluminense melhorou e todos
reconhecem essa melhora em relação à gestão passada. Mas não melhorou o que
precisa para termos um modelo de negócios sustentável. Os nossos principais
jogadores vieram de Xerém. Em 2015, o Fluminense investiu 4,9 milhões em Xerém
e gastou quase 80 milhões em contratações de fora. Se não contratamos o Messi,
para onde esse dinheiro deveria ter ido? Assumo o compromisso de nunca mais
investir tanto em contratações de fora e tão pouco em Xerém. Valorizar a base
não é apenas dizer que é bom. Precisa colocar os recursos para terminar a construção
de Xerém porque, lá, geram resultados. É a única aplicação rentável dos últimos
anos, rendeu mais de 200 milhões de reais com um investimento infinitamente
menor. Melhorar a vela não é inventar a lâmpada, precisamos mudar o paradigma e
sair desse modelo de negócios que já se esgotou.
3. Pretende
promover alguma alteração no projeto Šamorín?
Não conheço o projeto Šamorín.
O Peter conhece melhor do que ninguém, quero que ele vá para Eslováquia ser
campeão da Champions League, tem tudo para nos ajudar nesse sentido. Já pedi
isso a ele. E quero uma final do mundo entre o Fluminense Šamorín e o Fluminense daqui. Não posso dar
mais detalhes do projeto porque não conheço os contratos e os detalhes.
E baseado na repercussão da mídia, o que pode dizer sobre esse projeto?
Posso falar sobre o conceito de internacionalização do
Fluminense, que é importante. Precisamos sair dessa globalização de mão única
na qual os clubes do exterior desenvolvem um mercado aqui e não desenvolvemos
nada no de lá. Não sei se o mercado europeu, através da Eslováquia, é o melhor.
Temos que desenvolver o mercado dos Estados Unidos, e isso não significa
disputar Florida Cup. É lutar com unhas e dentes por uma competição continental
que reúna a América inteira. Temos que acabar com a Conmebol. Não faz o menor
sentido que o continente esteja dividido em CONCACAF e Conmebol. Por que não
temos condições de desenvolver o maior mercado do mundo? O PIB dos EUA é maior
que o da Europa inteira. O futebol de lá se desenvolve a passos largos. Precisamos
aproveitar esse momento favorável para a unificação das confederações. Temos
que dar um grito de liberdade e sair dessa pobreza da América do Sul. Não temos
mercado para desenvolver na Bolívia, no Uruguai, no Paraguai ou na Argentina. Os
índios desses países não vão comprar camisa do Fluminense, até porque não tem
dinheiro para isso.
Temos que desenvolver o mercado dos EUA, do México e do
Canadá. O Fluminense precisa ser protagonista. Não vou descansar enquanto não
melhorarmos essas condições externas que nos diminuem a cada dia. Enquanto
continuarmos em um Campeonato Estadual no qual, todo ano, a federação ganha
mais que os clubes e ninguém fala nada, não há saída. Não adianta fazer uma boa
gestão enquanto formos obrigados a disputar competições deficitárias, jogos sem
relevância, em estádios que não tem a menor condição de receber uma partida do
Fluminense. Qualquer estádio da América do Sul, além do Brasil, não passa em nenhuma
vistoria da Vigilância Sanitária, da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros ou da
Polícia Militar. Não tem nível pra receber nosso futebol como os recebemos
aqui. O Fluminense não pode ficar com a cabeça no buraco, feito um avestruz,
achando que o mundo vai conspirar a favor se não trabalharmos. Precisamos
trabalhar muito para mudarmos esse estado de coisas que nos oprime e nos
diminui a cada dia.
4. Caso
seja eleito, como será a relação do Fluminense com a FERJ? A atual gestão viveu
praticamente seis anos em litígio e sofreu muitas retaliações por conta disso.
Ou a FERJ muda ou a gente se muda de lá. Se as exigências que Fluminense e Flamengo encaminharam há seis meses não forem cumpridas, vamos nos desfiliar da federação e pedir a filiação direta à CBF, como permite o artigo 21 da Lei Pelé. Chega! Não aceitamos mais sermos prejudicados, ano após ano, sem falar nada. Está na hora de alguém bater na mesa e tomar uma atitude.
Ou a FERJ muda ou a gente se muda de lá. Se as exigências que Fluminense e Flamengo encaminharam há seis meses não forem cumpridas, vamos nos desfiliar da federação e pedir a filiação direta à CBF, como permite o artigo 21 da Lei Pelé. Chega! Não aceitamos mais sermos prejudicados, ano após ano, sem falar nada. Está na hora de alguém bater na mesa e tomar uma atitude.
Isso é um compromisso seu ou consenso entre todos os candidatos?
Não sei o que os outros candidatos pensam porque eu
convido todos para debates, faço eventos no Bar dos Guerreiros, e nenhum deles
vem. Estou disponível e não aparecem. Então, não sei o que os outros candidatos
pensam. Se acontecesse um debate, eu perguntaria.
5. O candidato Pedro Abad, em entrevista ao FluLink, definiu a pouca aproximação do clube com o sócio como uma deficiência da atual gestão. Você concorda? O que precisa ser feito para mudar o quadro?
Concordo muito com a afirmação dele e essa é a minha
bandeira principal. O modelo de negócios que o Fluminense precisa desenvolver para
sair dessa situação onde gasta mais do que ganha todo ano é baseado na relação
com seu sócio torcedor. Ele vai participar do dia a dia do clube com
transparência de verdade. Ele vai ter um aplicativo no celular onde vai ver, em
tempo real, quanto o Fluminense tem na conta, as reuniões de diretoria
transmitidas ao vivo, parte da preleção do técnico no vestiário. Tudo isso é
fácil de fazer. É um choque de gestão que traz transparência e democracia para
que haja participação dos sócios. É o futuro.
A internet mudou o modelo de negócios do século XXI. Há
exemplos de sucesso, como o Facebook, o Uber e a Airbnb, que empoderam seus
usuários e são os maiores do mundo em suas áreas. São plataformas de ligação
que têm o usuário como o eixo central. O Fluminense precisa engajar, empoderar,
se aproximar do seu torcedor. É o resgate de um conceito que originou o clube. Ele
nasceu a partir de pessoas que se reuniram, botaram a mão no bolso, construíram
e pagaram a manutenção de tudo que existe aqui. O Fluminense era sustentado
pelos seus sócios até a década de 80, quando outras verbas começaram a entrar.
Mas os membros de antigamente eram limitados a alguma proximidade geográfica
com o clube. Com a internet, não existe mais barreira. É Fluminense quem tenha
qualquer ligação com o clube, no Rio ou na Indonésia. Desejo romper esse
paradigma no qual o sócio está na arquibancada, longe, assistindo pela
televisão, e transformá-lo em uma peça essencial na gestão do clube.
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| Equipe FluLink e Pedro Trengrouse. Foto: Isabelle Suarez |
6. Notamos as felicitações do Fluminense
aos seus muitos ex-atletas nas Olimpíadas do Rio. Qual é o seu projeto para os
esportes olímpicos do clube? O que é preciso para que possamos manter esses
atletas e ter a alegria de uma medalha representada pelo fruto de um bom
trabalho realizado aqui?
O Fluminense sempre foi importante para o esporte
olímpico brasileiro, mas nos últimos anos não tem sido bem assim. O dinheiro
que sustenta o esporte olímpico no Brasil é público. O Fluminense nunca teve
acesso a esses recursos porque o futebol sempre contaminou a gestão dos
esportes olímpicos com os problemas da falta de certidões e da falta de
dinheiro. Clubes como Pinheiros e Minas Tênis Clube, que não têm futebol, não
têm dinheiro de bilheteria e nem de transferência de jogadores, possuem um
orçamento maior que o do Fluminense. Não podemos ter porque não estamos
organizados para ter. Temos uma história no esporte olímpico, mas hoje estamos
fazendo o quê? Quantas vezes o vice-presidente de esportes olímpicos do
Fluminense se reuniu com o Ministro dos Esportes? É uma boa pergunta. Se o
dinheiro vem de lá, quantas vezes ele esteve com o Ministro dos Esportes?
Meu projeto para o esporte olímpico é muito claro: vamos
criar uma fundação com CNPJ próprio, independente, para dinamizar a gestão. Ele
nunca mais sofrerá com os problemas do futebol. Tive uma reunião com o Esporte
Olímpico inteiro e distribuí para eles um material que inclui a minuta de
estatuto dessa fundação. Está pronto. Fiz isso porque as boas ideias não têm
dono. Elas têm seu tempo. Espero que qualquer candidato eleito aproveite esse
material. O esporte olímpico precisa assumir responsabilidades na sua própria
gestão para buscar os recursos onde eles existem. O Fluminense não pode mais
ficar para trás nessa área porque tem tradição e precisa desse empurrão para
viabilizar suas atividades.
7. O debate sobre a distribuição das cotas de TV é algo recorrente no futebol brasileiro. Você já falou sobre a plataforma on demand. Acredita que este seja o caminho para o Fluminense e para os demais clubes?
Esse é o caminho, não só para o Fluminense. As pessoas não
assistem mais a televisão, elas assistem sempre quando querem, onde querem, na
plataforma que querem. O crescimento da plataforma on demand é exponencial todo ano. No Brasil está entre 30% e 40%, e
crescendo. As gerações mais novas nem televisão veem mais. Elas veem 11 horas
por dia de vídeos no YouTube. Ou estamos de olho nisso ou nosso modelo vai se
esgotar e não vamos nem perceber. Esse é o caminho. E a discussão sobre cotas
de televisão não existe. Não se tem acesso ao contrato do outro, não se sabe quanto
o outro ganha. Ou vamos para a internet ser protagonistas e construir o nosso
próprio modelo ou continuamos reféns do que a televisão paga, do que o patrocinador
paga, do que os clubes que querem levar os nossos jogadores pagam.
Não buscamos nada. Ficamos esperando o que essas fontes
oferecem e não somos protagonistas das nossas próprias receitas. Esse não é o
Fluminense que quero administrar. Quem não está na mesa, está no cardápio, e
crocodilo que não se movimenta vira bolsa. Vamos buscar construir os nossos
próprios modelos e aproveitar tudo que a internet tem para nos oferecer. A
internacionalização do Fluminense começa na rede. Quando vamos para a internet,
vamos para o mundo. Não existem mais fronteiras. Estamos na Indonésia, na
China, nos Estados Unidos, na Eslováquia. Tudo que a NFL e a NBA podem fazer,
como tweets patrocinados que geram receita, também está à nossa disposição. O
Fluminense precisa sair dessa zona de conforto.
8. Na sua gestão será possível ver um técnico demitido com um mês de temporada, como foi no início deste ano?
Dificilmente isso acontecerá porque o futebol precisa ter
um planejamento: início, meio e fim. Temos que saber aonde vai. Não dá mais
para aceitar essa forma amadora como se trata o futebol. Não estou aqui para
falar de técnica, tática, contratação. Estou aqui para dizer que precisamos ter
uma estrutura no futebol com os melhores profissionais do mercado, que se
adequem ao perfil que o Fluminense quer ter. Precisamos de um planejamento
estratégico para identificar qual é o perfil do profissional que trabalhará aqui,
e a contratação precisa ser feita com transparência. Ver quem está disponível,
qual é o currículo, a postura em relação à vida. Essa busca começa com os
profissionais que temos em casa. Quando o maestro erra, a orquestra desafina.
Vamos ter um maestro diferente, e essa orquestra pode tocar muito melhor do que
toca hoje. Queremos ser campeões do mundo. Temos que ganhar e formar times da
base ao profissional que tenham o padrão e a cultura de jogo do Fluminense. Precisamos
trabalhar essa transição da base para o profissional muito melhor do que
trabalhamos hoje. Dentro dessa perspectiva, não cabe esse contrata-demite
mencionado. A pressão da torcida acontece, muitas vezes, porque não existe
planejamento.
9. Aponte, especificamente, um grande erro e um grande acerto da gestão Peter.
O grande erro é não estar me apoiando abertamente nessa
eleição. Não podemos mais apostar em aventuras. Os chineses têm um ditado: “Se
o cavalo ganhou uma vez, é sorte. Se ganhou duas, coincidência. Se ganhou três,
aposta no cavalo”. E estou ganhando há 20 anos. Há 20 anos sou contratado por
todo mundo no esporte brasileiro para trabalhar as questões mais importantes
que tivemos nesse país. O Fluminense tinha tudo para construir a unidade de
todos, respeitando as diferenças através de uma candidatura realmente preparada
para isso. Porque um bom ortopedista não pode operar seu coração. Tem que ser
um cardiologista, um especialista. Para presidir um clube, também tem que ter
experiência na área. Por que a pessoa pode achar que o sucesso em seu
escritório de advocacia ou em sua empresa vai garantir que se saia bem nessa
indústria completamente diferente? Não dá mais para deixar o ortopedista operar
o coração. Tem que chamar um cardiologista, um especialista. E o especialista
se chama Pedro Trengrouse. O principal erro dessa gestão é não ter apoiado minha
candidatura com unhas e dentes, com toda a energia que o Peter pode dar. Gosto
muito dele, é uma pessoa com quem sempre tive a melhor das relações. Alegro-me
de ter contribuído com a gestão dele em uma série de pontos específicos. Queria
o apoio na campanha e na gestão.
O principal acerto foi motivar o Pedro Antônio a
construir o CT. O Fluminense, patrimonialmente, teve alguma evolução em
três momentos: primeiro, com Arnaldo Guinle, que construiu tudo; depois, com
Sílvio Kelly, que construiu Xerém; e agora com Pedro Antônio, construindo o CT
na Barra. O principal acerto do Peter, que vai ficar para a posteridade, sem
dúvidas, foi ter conseguido motivar o Pedro Antônio a colocar aquele capacete
maravilhoso que ele usa em tudo quanto é lugar, inclusive nos jogos. E é
importante que vá de capacete porque isso mostra que está comprometido
integralmente com o CT aonde quer que ele vá, e motiva as outras pessoas a
seguirem as obras. O Pedro Antônio faz um grande trabalho e o Peter teve a
habilidade de criar um ambiente capaz de permitir esse trabalho.
Convidará o Pedro Antônio para fazer parte da sua gestão?
Ele vai ser o que quiser na minha gestão. Não abro mão do
Pedro Antônio, quero o apoio dele na campanha e na gestão. Se ele pudesse ser candidato,
eu provavelmente não seria. Caso queira se candidatar em 2019, já declaro apoio
agora, publicamente. Como ele não pode para 2016, não vejo nenhum outro
candidato em condições de tocar esses projetos que estou defendendo para o
Fluminense.
10. Deixe suas considerações finais para a torcida do Fluminense.
10. Deixe suas considerações finais para a torcida do Fluminense.
Todos os outros candidatos estão aí há muitos anos. É
como aquele poema do Drummond, “Quadrilha”: ‘João amava Maria que amava José...’.
O Cacá foi vice de um, o Peter foi vice do Horcades, o Mario entrou no clube há
18 anos. Quem estiver satisfeito com o Fluminense e quiser continuar como ele
está, não pode votar em mim porque não estou aqui para manter as coisas como
estão. Nunca fui parte de grupo político nenhum do Fluminense. Não faço parte
de panela. Quero o apoio de todos os tricolores. E digo mais: quero contar com
todos os candidatos na gestão. E não só com eles, mas também com os grupos aos
quais eles pertencem. Quero contar com esse apoio na gestão porque o Fluminense
só vai ser grande de verdade quando tivermos um ambiente onde todos os
tricolores estejam à vontade e motivados a contribuírem com o clube. Não
podemos mais ter uma gestão de facções na qual um grupo de amigos, que dizem
‘sim, senhor’ para o que o presidente quiser, esteja na gestão do clube. Isso nunca
vai dar certo. Sou o único candidato que representa algo novo, que traz a
bandeira da inovação com experiência de quem já fez, de quem já estudou, de
quem já trabalha na área. Quem quer o Fluminense campeão do mundo, diferente,
grande, forte e unido tem um candidato: Pedro Trengrouse. Quem quer mais do
mesmo pode escolher qualquer outro. Teve a chance e não fez, perdeu a vez.
Colunas - Eleição 2016 - FluLink - FluLink entrevista - Fluminense
Por Cayo Pereira, Clayton Mello, Guilherme Bianchini e Maria Costa
O FluLink deu seu pontapé inicial na cobertura sobre a eleição presidencial do Fluminense deste ano. Em acordo com os três candidatos confirmados até o momento, faremos um giro de entrevistas com cada um.
O primeiro entrevistado é o candidato Pedro Abad. Auditor da Receita Federal, ele é formado em Engenharia de Computação pelo Instituto Militar de Engenharia. Abad é o candidato da atual chapa que comanda o Fluminense, a Flusócio. Aberto aos questionamentos, reforçou que a atual gestão teve um bom caminho no âmbito financeiro e que isso abriu portas para investimentos em muitas frentes no clube. Também falou abertamente sobre questões adversas da atual gestão, como o cerceamento ao site de notícias NetFlu, mídia segmentada relacionada ao Fluminense e também a relação com a FERJ, desafeto nos últimos anos.
Confira na íntegra a entrevista com Pedro Abad:
1. O que levou você a aceitar o convite da Flusócio e consequentemente sair como candidato da situação?
Na verdade não foi um convite da Flusócio, foi uma vontade minha que sempre esteve na minha cabeça. Sempre achei que um dia estaria neste lugar e este ano a coisa ficou mais forte. Foram várias pessoas me chamando, me pedindo que encarasse o desafio, consegui acertar minha vida e vamos partir para esse desafio de muita responsabilidade, mas também de muito prazer.
*** 2. Peter e sua direção seguem buscando um patrocinador master para o Fluminense neste fim de gestão. Caso não haja acordo até a troca da presidência, qual é o seu plano para encontrar um novo parceiro?
As negociações com parceiros precisam ser analisadas no ponto de vista econômico que vive o país. Hoje em dia, qualquer parceria que envolva o Fluminense possui valores muito relevantes e o investidor neste momento demanda de um tempo de análise e o clube geralmente não tem tempo para esperar. A gente pretende abrir mais frentes de negociação, fazer apresentações que mostrem o valor da camisa, o retorno dado, buscando encontrar esses parceiros. De qualquer maneira, a gente tem muita confiança que até o fim deste período a gente já deve estar com um patrocinador master e outras propriedades da camisa vendidas.
3. O equilíbrio financeiro do Fluminense é real ou fictício? O que precisa mudar?
O equilíbrio é real. O que acontece é que o clube possui um volume de dívidas muito grande, mas através do trabalho de reorganização, de gestão junto aos órgãos públicos, de aproveitamento das oportunidades que as leis fiscais e trabalhistas nos deram, a gente conseguiu equacionar essas dívidas de forma que hoje conseguimos pagar de forma parcelada, em um prazo elevado que permite que tenhamos um fluxo de caixa previsível. Sem esse equilíbrio, a gente não conseguiria recursos para o clube. Acabamos de receber R$4,5 milhões que vão pagar a folha de salário dos esportes Olímpicos e estamos com outros editais prontos para ter mais recursos. Isso é fruto do trabalho feito pelo presidente.
A responsabilidade do presidente é manter esse equilíbrio e na medida do possível ir quitando algumas dívidas que são maiores que as outras. Dívida bancária é algo que possui juros altos, então precisamos matar assim que possível. O planejamento é sempre que tiver uma receita inesperada, que possamos pagar um pouco da dívida e também fazer investimentos, seja no futebol ou no clube, sempre dividindo de uma forma adequada.
4. Pretende promover alguma alteração no projeto Samorín?
O Projeto Samorín é muito amplo. Os sócios e as pessoas que acompanham o Fluminense pela internet têm uma pequena noção do que é o projeto. Ele faz parte de um contexto. Qual é o contexto? Ele foi colocado ao lado de um centro de desenvolvimento esportivo gigantesco, é o segundo maior do mundo. Os jogadores que estiverem lá vão poder utilizar dessa estrutura. Além disso, o nosso projeto é levar o Samorín a primeira divisão. Alcançando esse objetivo, vamos buscar atrair investimentos de peso para fazer com que o Samorín se torne um clube mais competitivo ainda dentro da Europa. Onde é o fim disso tudo? É a gente arrumar o Fluminense internamente. Organização, saneamento de dívidas, de uma maneira que o clube seja alvo de maiores investidores no futuro. Atualmente temos uma competição muito dura com outras equipes favorecidas por uma cota de televisão maior e de receitas. Se a gente não partir para outras opções a não ser brigar especificamente por dinheiro, vamos perder. Então, inicialmente vamos preparar o Samorín e junto com a preparação do Fluminense. Alcançando o objetivo, vamos trazer isso para cá, de forma que a gente obtenha grandes investidores e consiga receitas e conquistas a altura do nosso clube.
5. Como será a relação do Fluminense com a FERJ caso você seja eleito? A atual gestão viveu em litígio praticamente os seis anos de mandato e sofreu muitas retaliações por conta disso.
A defesa dos interesses do Fluminense estará sempre em primeiro lugar. Minha gestão sempre irá defender os interesses do clube. Por outro lado, sempre que houver a possibilidade de diálogo e isso não se aplica só a Federação do Rio, mas também com outras entidades esportivas que possuímos relacionamento, vamos fazer. De qualquer maneira, a gente já tem alguns litígios estabelecidos e temos que enfrentar de igual para igual. Não existe nenhum receio de partir para o confronto se for necessário. Porém, podendo dialogar, é sempre melhor.
6. Notamos as felicitações do Fluminense aos seus ex-atletas na Olimpíada Rio 2016. Qual é o seu projeto para os esportes Olímpicos do clube? O que é preciso para que possamos manter esses atletas e ter a alegria de uma medalha representada pelo fruto de um bom trabalho realizado?
Os esportes Olímpicos do Fluminense possuem uma grande tradição. A história do Fluminense vai além do futebol. Hoje em dia, esporte de alto desempenho precisa de dinheiro. Para se ter atletas, técnicos dedicados a isso, demanda dinheiro. Hoje, como já temos as certidões negativas, conseguimos elaborar projetos para serem levados até as entidades que destinam dinheiro a esses projetos, de forma que a gente consiga investir no esporte de alto desempenho e gerar os atletas que vão trazer o orgulho, a visibilidade para a marca Fluminense. Isso tudo está muito claro pra mim, já conversei com diversos representantes dos esportes Olímpicos e todos eles sinalizam muito positivamente neste sentido. Já mapeamos com representantes de tiro, natação, tênis... Todos eles já foram contactados com a intenção de entender as necessidades e aonde cada esporte tem que caminhar.
7. A gestão Peter impediu os trabalhos do NetFlu dentro do clube. Qual é a sua visão sobre isso? Caso vença a eleição, essa medida será mantida ou o canal terá seu direito devolvido?
Eu não sei dizer exatamente os motivos que levaram o clube a tomar essa decisão. Temos duas formas de analisar isso: A gestão nestes últimos seis anos foi exercida de forma muito responsável. São pessoas que dão valor a imprensa, entendem que é um trabalho muito importante não só para o esporte, mas para a sociedade. Sem procurar saber o que houve realmente, fica muito difícil opinar. De qualquer maneira, já conversei com o pessoal do NetFlu e quero chamar para uma conversa, visando entender o que houve e estabelecer uma forma de trabalho que atenda os interesses do clube e os interesses da imprensa no geral.
8. Qual é a sua opinião sobre demitir um técnico com um mês de temporada? (Referência a demissão de Eduardo Baptista em 25 de fevereiro deste ano).
O técnico sempre acaba pagando o pato nessa cultura instalada. Acho que é muito importante procurar envolver o técnico em um projeto e procurar acreditar nele do que simplesmente tomar uma atitude acalorada. Como eu não estava no futebol naquele momento, não sei o que levou efetivamente a gestão a fazer isso. Porém, o importante é que se tenha um projeto que valorize ao longo prazo. O que não quer dizer que eventualmente não se precise corrigir o rumo, as vezes o profissional não se encaixou com o elenco ou não se adaptou a filosofia do clube. Tem muita coisa que pode fazer dar certo, como também ao contrário. Geralmente é caso a caso, mas o interessante é se propor a criar uma estrutura de direção de futebol que vise projetos longos, que é o que dá estabilidade, entrosamento, ganho de rendimento. Quanto mais tempo se trabalha junto, melhores resultados são conquistados.
9. Aponte, especificamente, um grande erro e um grande acerto da gestão Peter.
Um erro foi a pouca aproximação com o sócio, pouca comunicação. Na minha opinião não é propriamente um erro, mas uma deficiência. As ações feitas foram boas, mas acho que poderia ter mais, uma interação mais ágil, de forma a trazer o sócio e o torcedor para mais próximo, que houvesse mais conteúdo para que ele se sentisse mais pertencente a vida do clube.
Um grande acerto, não tenho a menor dúvida, foi a responsabilidade financeira. Erros e acertos acontecem, faz parte de uma gestão, mas acho que nessa questão, o clube acertou muito mais do que errou e hoje a gente tem o resultado disso que vai ser longo. O fluxo de caixa planejado, poder obter outros recursos que vão catapultar os esportes Olímpicos e o próprio futebol de base pode se aproveitar disso. Além, claro, de algo que não vou nem me estender muito que foi o Centro de Treinamento. Levantou o Fluminense em um patamar que a gente não podia imaginar. O Pedro Antônio foi um monstro nessa entrega da gestão. Ele trabalhou incessantemente e fez o CT em um custo que é inacreditável. Isso é pra sempre.
10. Deixe sua mensagem aos torcedores e sócios que irão decidir o futuro do Fluminense nesta eleição.
Quero dizer ao torcedor e ao sócio que a gente está fazendo parte de um projeto que começou em 2011, que tentou de toda forma reduzir a influência de um passado nefasto que tivemos no clube, um cenário quase de terra arrasada e que não termina nestes seis anos. A minha candidatura é uma parte importante de um projeto que começou com a reformulação de Xerém, com uma nova forma de fazer gestão e agora é a vez de partir efetivamente para dentro do futebol, fazer algo diferente dos últimos anos, principalmente nestes dois últimos anos. Queremos um futebol vencedor, ainda mais estruturado e posso dizer que temos um horizonte muito bom para o clube e tenho certeza que o sócio que depositar a confiança em mim, não vai se arrepender. Vou trabalhar demais, estou muito motivado, estou decidido a fazer pelo menos os próximos três anos de muito trabalho e muita dedicação para que o Fluminense seja principalmente um clube vencedor onde disputar. É isso que quero fazer.
-x-
*** Quando questionado sobre a questão do patrocinador master, ainda não havia o anúncio da Caixa Econômica Federal quanto a parceria com o Fluminense que será selada na próxima terça-feira, 20 de setembro.
Fique ligado nas nossas redes sociais! O candidato Pedro Abad respondeu algumas perguntas de bate-pronto que irão ao ar diretamente no Twitter em formato de vídeo.
O próximo entrevistado será o candidato Pedro Trengrouse, no dia 24 de setembro.
Saudações Tricolores!
Colunas - Eleição 2016 - FluLink - FluLink entrevista - Fluminense
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