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» » » » » » Com discurso forte, Pedro Trengrouse é o segundo entrevistado do FluLink
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Por Cayo Pereira, Clayton Mello, Guilherme Bianchini e Maria Costa

O FluLink segue com sua cobertura da eleição presidencial de 2016 do Fluminense. Após entrevista com o candidato Pedro Abad, foi a vez de Pedro Trengrouse responder às perguntas do site.

Formado em Direito pela PUC-Rio, Trengrouse especializou-se em Direito Desportivo e passou boa parte de sua carreira no mundo do futebol, com trabalhos na FERJ e em diversos clubes da Série A . O candidato representa a chapa Verdade Tricolor. Adepto de analogias e ditados, reafirmou seu desejo de mudança em relação à atual gestão do clube e explicou como pretende implementar um novo modelo de negócios e aproximar o sócio através de plataformas digitais.

Confira na íntegra a entrevista com Pedro Trengrouse:

1. Você já disse que seu lema é fazer o Fluminense campeão do mundo. Como pretende alcançar esse objetivo?

É simples: vamos ganhar todos os jogos, fazendo mais gols do que levando. Para isso, tem que querer ganhar de verdade, jogar com garra, com paixão. Gostam muito de falar em gestão, em balanço, em números, mas se esquecem que a nossa missão é ganhar tudo, ganhar sempre. Não tem que estar preocupado com o balanço na hora que entrar em campo. A cabeça tem que estar só na vitória.

E o resultado não é consequência de uma boa gestão?

Ninguém melhor do que eu pra falar de gestão. Estou nesse ramo há 20 anos e sei da importância. Mas ela não pode ser mais importante que a vontade de vencer em campo. O dirigente que apresenta o balanço positivo como mais importante que a vitória em campo está errado. O Fluminense não é um banco. A boa gestão tem que existir pra dar condições ao clube de ganhar tudo em campo. Falta alguma coisa nessa boa gestão se a equipe não entra em campo com a vontade de vencer. O objetivo do Fluminense é ganhar, fomos criados para isso. Na vida encontramos uma série de percalços, mas não existe vento a favor pra quem não sabe aonde vai. Eu sei aonde quero ir, quero ser campeão do mundo e gostaria que todos os candidatos também quisessem.

2. O equilíbrio financeiro do Fluminense é real ou fictício? O que precisa mudar?

O balanço do Fluminense nos últimos 13 anos mostra que o clube gasta mais do que ganha todo ano. O prejuízo acumulado passa dos 300 milhões de reais. O modelo atual de negócios não é sustentável. O Peter equacionou uma série de questões, sem dúvidas a imagem do Fluminense melhorou e todos reconhecem essa melhora em relação à gestão passada. Mas não melhorou o que precisa para termos um modelo de negócios sustentável. Os nossos principais jogadores vieram de Xerém. Em 2015, o Fluminense investiu 4,9 milhões em Xerém e gastou quase 80 milhões em contratações de fora. Se não contratamos o Messi, para onde esse dinheiro deveria ter ido? Assumo o compromisso de nunca mais investir tanto em contratações de fora e tão pouco em Xerém. Valorizar a base não é apenas dizer que é bom. Precisa colocar os recursos para terminar a construção de Xerém porque, lá, geram resultados. É a única aplicação rentável dos últimos anos, rendeu mais de 200 milhões de reais com um investimento infinitamente menor. Melhorar a vela não é inventar a lâmpada, precisamos mudar o paradigma e sair desse modelo de negócios que já se esgotou.

3. Pretende promover alguma alteração no projeto Šamorín?

Não conheço o projeto Šamorín. O Peter conhece melhor do que ninguém, quero que ele vá para Eslováquia ser campeão da Champions League, tem tudo para nos ajudar nesse sentido. Já pedi isso a ele. E quero uma final do mundo entre o Fluminense Šamorín e o Fluminense daqui. Não posso dar mais detalhes do projeto porque não conheço os contratos e os detalhes.

E baseado na repercussão da mídia, o que pode dizer sobre esse projeto?

Posso falar sobre o conceito de internacionalização do Fluminense, que é importante. Precisamos sair dessa globalização de mão única na qual os clubes do exterior desenvolvem um mercado aqui e não desenvolvemos nada no de lá. Não sei se o mercado europeu, através da Eslováquia, é o melhor. Temos que desenvolver o mercado dos Estados Unidos, e isso não significa disputar Florida Cup. É lutar com unhas e dentes por uma competição continental que reúna a América inteira. Temos que acabar com a Conmebol. Não faz o menor sentido que o continente esteja dividido em CONCACAF e Conmebol. Por que não temos condições de desenvolver o maior mercado do mundo? O PIB dos EUA é maior que o da Europa inteira. O futebol de lá se desenvolve a passos largos. Precisamos aproveitar esse momento favorável para a unificação das confederações. Temos que dar um grito de liberdade e sair dessa pobreza da América do Sul. Não temos mercado para desenvolver na Bolívia, no Uruguai, no Paraguai ou na Argentina. Os índios desses países não vão comprar camisa do Fluminense, até porque não tem dinheiro para isso.

Temos que desenvolver o mercado dos EUA, do México e do Canadá. O Fluminense precisa ser protagonista. Não vou descansar enquanto não melhorarmos essas condições externas que nos diminuem a cada dia. Enquanto continuarmos em um Campeonato Estadual no qual, todo ano, a federação ganha mais que os clubes e ninguém fala nada, não há saída. Não adianta fazer uma boa gestão enquanto formos obrigados a disputar competições deficitárias, jogos sem relevância, em estádios que não tem a menor condição de receber uma partida do Fluminense. Qualquer estádio da América do Sul, além do Brasil, não passa em nenhuma vistoria da Vigilância Sanitária, da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros ou da Polícia Militar. Não tem nível pra receber nosso futebol como os recebemos aqui. O Fluminense não pode ficar com a cabeça no buraco, feito um avestruz, achando que o mundo vai conspirar a favor se não trabalharmos. Precisamos trabalhar muito para mudarmos esse estado de coisas que nos oprime e nos diminui a cada dia.

4. Caso seja eleito, como será a relação do Fluminense com a FERJ? A atual gestão viveu praticamente seis anos em litígio e sofreu muitas retaliações por conta disso.

Ou a FERJ muda ou a gente se muda de lá. Se as exigências que Fluminense e Flamengo encaminharam há seis meses não forem cumpridas, vamos nos desfiliar da federação e pedir a filiação direta à CBF, como permite o artigo 21 da Lei Pelé. Chega! Não aceitamos mais sermos prejudicados, ano após ano, sem falar nada. Está na hora de alguém bater na mesa e tomar uma atitude.

Isso é um compromisso seu ou consenso entre todos os candidatos?

Não sei o que os outros candidatos pensam porque eu convido todos para debates, faço eventos no Bar dos Guerreiros, e nenhum deles vem. Estou disponível e não aparecem. Então, não sei o que os outros candidatos pensam. Se acontecesse um debate, eu perguntaria.

5. O candidato Pedro Abad, em entrevista ao FluLink, definiu a pouca aproximação do clube com o sócio como uma deficiência da atual gestão. Você concorda? O que precisa ser feito para mudar o quadro?

Concordo muito com a afirmação dele e essa é a minha bandeira principal. O modelo de negócios que o Fluminense precisa desenvolver para sair dessa situação onde gasta mais do que ganha todo ano é baseado na relação com seu sócio torcedor. Ele vai participar do dia a dia do clube com transparência de verdade. Ele vai ter um aplicativo no celular onde vai ver, em tempo real, quanto o Fluminense tem na conta, as reuniões de diretoria transmitidas ao vivo, parte da preleção do técnico no vestiário. Tudo isso é fácil de fazer. É um choque de gestão que traz transparência e democracia para que haja participação dos sócios. É o futuro.

A internet mudou o modelo de negócios do século XXI. Há exemplos de sucesso, como o Facebook, o Uber e a Airbnb, que empoderam seus usuários e são os maiores do mundo em suas áreas. São plataformas de ligação que têm o usuário como o eixo central. O Fluminense precisa engajar, empoderar, se aproximar do seu torcedor. É o resgate de um conceito que originou o clube. Ele nasceu a partir de pessoas que se reuniram, botaram a mão no bolso, construíram e pagaram a manutenção de tudo que existe aqui. O Fluminense era sustentado pelos seus sócios até a década de 80, quando outras verbas começaram a entrar. Mas os membros de antigamente eram limitados a alguma proximidade geográfica com o clube. Com a internet, não existe mais barreira. É Fluminense quem tenha qualquer ligação com o clube, no Rio ou na Indonésia. Desejo romper esse paradigma no qual o sócio está na arquibancada, longe, assistindo pela televisão, e transformá-lo em uma peça essencial na gestão do clube.


Equipe FluLink e Pedro Trengrouse. Foto: Isabelle Suarez

6. Notamos as felicitações do Fluminense aos seus muitos ex-atletas nas Olimpíadas do Rio. Qual é o seu projeto para os esportes olímpicos do clube? O que é preciso para que possamos manter esses atletas e ter a alegria de uma medalha representada pelo fruto de um bom trabalho realizado aqui?

O Fluminense sempre foi importante para o esporte olímpico brasileiro, mas nos últimos anos não tem sido bem assim. O dinheiro que sustenta o esporte olímpico no Brasil é público. O Fluminense nunca teve acesso a esses recursos porque o futebol sempre contaminou a gestão dos esportes olímpicos com os problemas da falta de certidões e da falta de dinheiro. Clubes como Pinheiros e Minas Tênis Clube, que não têm futebol, não têm dinheiro de bilheteria e nem de transferência de jogadores, possuem um orçamento maior que o do Fluminense. Não podemos ter porque não estamos organizados para ter. Temos uma história no esporte olímpico, mas hoje estamos fazendo o quê? Quantas vezes o vice-presidente de esportes olímpicos do Fluminense se reuniu com o Ministro dos Esportes? É uma boa pergunta. Se o dinheiro vem de lá, quantas vezes ele esteve com o Ministro dos Esportes?

Meu projeto para o esporte olímpico é muito claro: vamos criar uma fundação com CNPJ próprio, independente, para dinamizar a gestão. Ele nunca mais sofrerá com os problemas do futebol. Tive uma reunião com o Esporte Olímpico inteiro e distribuí para eles um material que inclui a minuta de estatuto dessa fundação. Está pronto. Fiz isso porque as boas ideias não têm dono. Elas têm seu tempo. Espero que qualquer candidato eleito aproveite esse material. O esporte olímpico precisa assumir responsabilidades na sua própria gestão para buscar os recursos onde eles existem. O Fluminense não pode mais ficar para trás nessa área porque tem tradição e precisa desse empurrão para viabilizar suas atividades.

7. O debate sobre a distribuição das cotas de TV é algo recorrente no futebol brasileiro. Você já falou sobre a plataforma on demand. Acredita que este seja o caminho para o Fluminense e para os demais clubes?

Esse é o caminho, não só para o Fluminense. As pessoas não assistem mais a televisão, elas assistem sempre quando querem, onde querem, na plataforma que querem. O crescimento da plataforma on demand é exponencial todo ano. No Brasil está entre 30% e 40%, e crescendo. As gerações mais novas nem televisão veem mais. Elas veem 11 horas por dia de vídeos no YouTube. Ou estamos de olho nisso ou nosso modelo vai se esgotar e não vamos nem perceber. Esse é o caminho. E a discussão sobre cotas de televisão não existe. Não se tem acesso ao contrato do outro, não se sabe quanto o outro ganha. Ou vamos para a internet ser protagonistas e construir o nosso próprio modelo ou continuamos reféns do que a televisão paga, do que o patrocinador paga, do que os clubes que querem levar os nossos jogadores pagam.

Não buscamos nada. Ficamos esperando o que essas fontes oferecem e não somos protagonistas das nossas próprias receitas. Esse não é o Fluminense que quero administrar. Quem não está na mesa, está no cardápio, e crocodilo que não se movimenta vira bolsa. Vamos buscar construir os nossos próprios modelos e aproveitar tudo que a internet tem para nos oferecer. A internacionalização do Fluminense começa na rede. Quando vamos para a internet, vamos para o mundo. Não existem mais fronteiras. Estamos na Indonésia, na China, nos Estados Unidos, na Eslováquia. Tudo que a NFL e a NBA podem fazer, como tweets patrocinados que geram receita, também está à nossa disposição. O Fluminense precisa sair dessa zona de conforto.

8. Na sua gestão será possível ver um técnico demitido com um mês de temporada, como foi no início deste ano?

Dificilmente isso acontecerá porque o futebol precisa ter um planejamento: início, meio e fim. Temos que saber aonde vai. Não dá mais para aceitar essa forma amadora como se trata o futebol. Não estou aqui para falar de técnica, tática, contratação. Estou aqui para dizer que precisamos ter uma estrutura no futebol com os melhores profissionais do mercado, que se adequem ao perfil que o Fluminense quer ter. Precisamos de um planejamento estratégico para identificar qual é o perfil do profissional que trabalhará aqui, e a contratação precisa ser feita com transparência. Ver quem está disponível, qual é o currículo, a postura em relação à vida. Essa busca começa com os profissionais que temos em casa. Quando o maestro erra, a orquestra desafina. Vamos ter um maestro diferente, e essa orquestra pode tocar muito melhor do que toca hoje. Queremos ser campeões do mundo. Temos que ganhar e formar times da base ao profissional que tenham o padrão e a cultura de jogo do Fluminense. Precisamos trabalhar essa transição da base para o profissional muito melhor do que trabalhamos hoje. Dentro dessa perspectiva, não cabe esse contrata-demite mencionado. A pressão da torcida acontece, muitas vezes, porque não existe planejamento.


9. Aponte, especificamente, um grande erro e um grande acerto da gestão Peter.

O grande erro é não estar me apoiando abertamente nessa eleição. Não podemos mais apostar em aventuras. Os chineses têm um ditado: “Se o cavalo ganhou uma vez, é sorte. Se ganhou duas, coincidência. Se ganhou três, aposta no cavalo”. E estou ganhando há 20 anos. Há 20 anos sou contratado por todo mundo no esporte brasileiro para trabalhar as questões mais importantes que tivemos nesse país. O Fluminense tinha tudo para construir a unidade de todos, respeitando as diferenças através de uma candidatura realmente preparada para isso. Porque um bom ortopedista não pode operar seu coração. Tem que ser um cardiologista, um especialista. Para presidir um clube, também tem que ter experiência na área. Por que a pessoa pode achar que o sucesso em seu escritório de advocacia ou em sua empresa vai garantir que se saia bem nessa indústria completamente diferente? Não dá mais para deixar o ortopedista operar o coração. Tem que chamar um cardiologista, um especialista. E o especialista se chama Pedro Trengrouse. O principal erro dessa gestão é não ter apoiado minha candidatura com unhas e dentes, com toda a energia que o Peter pode dar. Gosto muito dele, é uma pessoa com quem sempre tive a melhor das relações. Alegro-me de ter contribuído com a gestão dele em uma série de pontos específicos. Queria o apoio na campanha e na gestão.

O principal acerto foi motivar o Pedro Antônio a construir o CT. O Fluminense, patrimonialmente, teve alguma evolução em três momentos: primeiro, com Arnaldo Guinle, que construiu tudo; depois, com Sílvio Kelly, que construiu Xerém; e agora com Pedro Antônio, construindo o CT na Barra. O principal acerto do Peter, que vai ficar para a posteridade, sem dúvidas, foi ter conseguido motivar o Pedro Antônio a colocar aquele capacete maravilhoso que ele usa em tudo quanto é lugar, inclusive nos jogos. E é importante que vá de capacete porque isso mostra que está comprometido integralmente com o CT aonde quer que ele vá, e motiva as outras pessoas a seguirem as obras. O Pedro Antônio faz um grande trabalho e o Peter teve a habilidade de criar um ambiente capaz de permitir esse trabalho.

Convidará o Pedro Antônio para fazer parte da sua gestão?

Ele vai ser o que quiser na minha gestão. Não abro mão do Pedro Antônio, quero o apoio dele na campanha e na gestão. Se ele pudesse ser candidato, eu provavelmente não seria. Caso queira se candidatar em 2019, já declaro apoio agora, publicamente. Como ele não pode para 2016, não vejo nenhum outro candidato em condições de tocar esses projetos que estou defendendo para o Fluminense.

10. Deixe suas considerações finais para a torcida do Fluminense.

Todos os outros candidatos estão aí há muitos anos. É como aquele poema do Drummond, “Quadrilha”: ‘João amava Maria que amava José...’. O Cacá foi vice de um, o Peter foi vice do Horcades, o Mario entrou no clube há 18 anos. Quem estiver satisfeito com o Fluminense e quiser continuar como ele está, não pode votar em mim porque não estou aqui para manter as coisas como estão. Nunca fui parte de grupo político nenhum do Fluminense. Não faço parte de panela. Quero o apoio de todos os tricolores. E digo mais: quero contar com todos os candidatos na gestão. E não só com eles, mas também com os grupos aos quais eles pertencem. Quero contar com esse apoio na gestão porque o Fluminense só vai ser grande de verdade quando tivermos um ambiente onde todos os tricolores estejam à vontade e motivados a contribuírem com o clube. Não podemos mais ter uma gestão de facções na qual um grupo de amigos, que dizem ‘sim, senhor’ para o que o presidente quiser, esteja na gestão do clube. Isso nunca vai dar certo. Sou o único candidato que representa algo novo, que traz a bandeira da inovação com experiência de quem já fez, de quem já estudou, de quem já trabalha na área. Quem quer o Fluminense campeão do mundo, diferente, grande, forte e unido tem um candidato: Pedro Trengrouse. Quem quer mais do mesmo pode escolher qualquer outro. Teve a chance e não fez, perdeu a vez.

Autor: Guilherme Bianchini

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